UnReal: TV Sem Cortes!

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Você acredita em amor? John Green ou Nicholas Sparks? Então essa série não foi feita para você, ou foi, já que apesar de ir contra todas as premissas de um romance água com açúcar, ela é executada de forma bem didática e um pouco fantasiosa… Digamos assim. UnReal foi o grande hit do Lifetime nessa Summer Season, isso, o mesmo canal de Davious Maids, que você acha que tem os programas mais bregas do universo, mas uma vez em frente a telinha torna-se viciante. E UnReal tem um plus: um ótimo roteiro! Por isso decidi trazer  como sugestão para os leitores do Cinema de Buteco.

A premissa é simples, o quanto de tudo que você acredita e sonha na sua vida é editado? Antes de você sonhar com o amor perfeito e aquele casamento incrível com dois filhinhos levando para passear no parque, na mão de quantas pessoas esse material da sua imaginação passou? Sendo mais específico UnReal fala sobre Reality TV, o quanto vemos em programas como Big Brother, MasterChef e A Fazenda é real e o quanto é editado, deixado de fora ou até mesmo distorcido.

Apesar de ter uma premissa filosófica bem grande e uma sinopse desafiadora, a execução de UnReal não foge aos moldes do Lifetime. Rachel Goldberg, interpretada por Shiri Appleby (que já sabemos que vai passar a temporada inteira com cara de choro) é umas das principais produtoras de um programa de TV chamado Everlasting, que roda nos mesmos formatos de The Bachelor (apresentado no Brasil pela RedeTV). A personagem, que claramente tem vários problemas psicológicos, resultantes de anos à frente de um show que cria verdades, deixa bem claro os pontos que são interessantes para o canal explorar frente ao seu público, dentro do tema.

“Maluquinha”, como é chamada por seus colegas, ao lado de sua poderosa chefe Quinn (Constance Zimmer) vivem criando fantasias e fazendo jogos mentais com seu elenco, o que automaticamente, aos olhos do espectador, às torna quase que monstros. Durante a temporada é possível vê-las fazendo todo o tipo de atrocidades para  ganhar um ponto à mais na audiência, e para fazer o que chamam de “Good TV”. A série não explora as camadas psicológicas de seus personagens, muito menos a trama de consequências dos atos dos mesmos. Seguindo uma linha mais Lifetime, é possível vermos alguns dramalhões, exageros na continuidade do texto e atuações rasas, digamos assim.

Se o canal resolve não ir muito à fundo no drama psicológico, por outro lado toma a dianteira em um assunto que diz muito respeito ao seu público: mulheres. O show coloca duas mulheres muito fortes nos holofotes, em posições de poder, mas longe de serem perfeitas. Se por horas as cúmplices se auto defendem e clamam pelo poder feminino, em outros momento elas deixam-se envolver na própria fantasia que criaram, acreditando em pôneis e felizes para sempre.

Gostaria de explorar um outro ponto bem destacado na série. Se você não se enquadra no grupo dos que acreditam em contos de fadas, muito provavelmente está no outro… O dos sedentos por verem a desgraça alheia. A série trabalha muito bem essa dualidade, em que momentos as produtoras devem apostar no romance e quando explorar a desgraça. Como gênios elas passam como tratores por cima das adversidades dentro dos estúdios, mas e na vida sem formato? Será que elas são capazes de discernir quando é a aposta certa? São apenas dez episódios, e vale muito a pena dar uma conferida.

Jairo Borges