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Direto do Indie 2010 Parte 3: Orly

Desonestidade é algo que me irrita em filmes. O filme pode duvidar da inteligência do espectador (o roteiro não se leva a sério e nem ao público que assiste), ou pode também ser exageradamente pretensioso (o que de certa forma também põe em dúvida o lugar do espectador como aquele que participa do processo, que identifica-se de alguma forma).

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É justamente o caso de Orly da diretora francesa Angela Schanelec. Em seu filme somos levados a um aeroporto (chamado Orly) onde pessoas se encontram, conversam, trocam experiências, se conhecem, se desconhecem também. Mas nada disso chega a ser relevante em algum momento do filme. Aí está o erro.

Homem a mulher se conhecem coincidentemente e passam a desenvolver certa ligação; uma mãe que vai ao enterro do falecido marido com seu filho tem revelações a fazer – ele também; um rapaz que se apaixona instantaneamente por uma moça assim que a vê. São muitas pequenas histórias, mas que nunca despertam o interesse do espectador. Em vários momentos os personagens se fazem perguntas das mais corriqueiras. Há uma busca pelo conhecimento do outro ali. Mas isso se restringe aos personagens. Quem assiste não se sente motivado a conhecer nada sobre aquelas pessoas.

É uma (pretensa) temática recorrente: o vazio, a dificuldade de se relacionar, a efemeridade das relações. Um aeroporto pode ser até o palco para que essas questões se evidenciem. Mas desde que colocadas de uma forma mais empática, minimamente atraente.

Orly se mostra um filme pedante, excessivamente (ou desnecessariamente) lento, e sem graça. É claro que um ritmo menos acelerado não é necessariamente um demérito para um filme. Mas desde de que sirva para alguma coisa e que não fique na gratuidade. Não recomendo.
8 Comentários
  1. Jairo Souza Diz

    Acho que estamos muito acostumados com o junk, essa busca por uma razão e um desenvolvimento quando assistimos um filme. Acho q um filme não deve ter necessáriamente essa proposta, mas sim, instigar o telespectador de alguma forma, como pelo que vi você ficou instigado com a proposta, da levianidade e efemeridade das relações, e pelo visto essa foi a mensagem que o filme passou para você.

    Pelo que jah li por aqui, você mesmo resenhou "Lost in Translation", que é apenas um dos exemplos que posso citar de como a beleza de um longa não está em fazer sentido, ou ter uma justificativa. Mas sim, podem ser apenas cenas sequenciadas, de dialogos ou situações que nos provoquem alguma reação.

  2. Jairo Souza Diz

    BTW os filmes franceses são mestres nessa arte retratar o cotidiano e o comum!

  3. Fabi Diz

    Puxa, pela sinopse eu tinha ficado interessada em assistir; agora deu preguiça.

    Mas nem 'tô comentando por isso, o que eu quero é parabenizar o João por escrever TÃO bem. Menino, que escrita leve a sua! Gostei muito.

  4. João Diz

    fabi não assiste. tem muita coisa melhor no indie com certeza. brigado pelo que disse! 🙂

    e jairo eu também acho que cinema (arte) não precisa fazer sentido necessariamente. a proposta é que tem que ser interessante, válida como disse. alguns filmes trabalham a tal proposta de orly muito bem. não é o caso. lost in translation por exemplo é fantástico. eu adoro cinema francês. adoro cinema na verdade, mas quando a coisa é bem feita. é o mínimo que se exige não é verdade?

  5. 2T Diz

    uau. nunca tinha visto um post tão nervoso do jão… hahahahha, quero ir no indie e já sei que devo passar longe desse filme. hahaha

    concordo com o jairo. se a pessoa não se controlar, acaba ficando bitolada e parando de prestar atenção no que realmente importa. a busca pelo sentido e coerência não precisa ser determinante para um filme ser bom ou ruim.

  6. Junnel Diz

    #Chupa!! tem q ter uma virada sim!! ahahahahh senao o filme fica chato, e nem vem falar que isso eh coisa de cinema hollywoodiano, pq ate a piada mais simples que a minha mae conta durante as reunioes de familia tem virada.
    Prender a atencao do espectador é essencial e ponto final.

  7. Jairo Souza Diz

    O interesse e atenção vai depender doque cada espectador está buscando Junnel é mt relativo o q prende o não o espectador, mas como o João disse tem que ser no minimo bem feito.

  8. João Diz

    fiquei puto pq me senti perdendo uma hora e meia da minha vida por nada. rs por isso tanta revolta.
    mas já superei!

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