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Indie Festival 2010

Direto do Indie 2010 Parte 3: Orly

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Desonestidade é algo que me irrita em filmes. O filme pode duvidar da inteligência do espectador (o roteiro não se leva a sério e nem ao público que assiste), ou pode também ser exageradamente pretensioso (o que de certa forma também põe em dúvida o lugar do espectador como aquele que participa do processo, que identifica-se de alguma forma).

É justamente o caso de Orly da diretora francesa Angela Schanelec. Em seu filme somos levados a um aeroporto (chamado Orly) onde pessoas se encontram, conversam, trocam experiências, se conhecem, se desconhecem também. Mas nada disso chega a ser relevante em algum momento do filme. Aí está o erro.

Homem a mulher se conhecem coincidentemente e passam a desenvolver certa ligação; uma mãe que vai ao enterro do falecido marido com seu filho tem revelações a fazer – ele também; um rapaz que se apaixona instantaneamente por uma moça assim que a vê. São muitas pequenas histórias, mas que nunca despertam o interesse do espectador. Em vários momentos os personagens se fazem perguntas das mais corriqueiras. Há uma busca pelo conhecimento do outro ali. Mas isso se restringe aos personagens. Quem assiste não se sente motivado a conhecer nada sobre aquelas pessoas.

É uma (pretensa) temática recorrente: o vazio, a dificuldade de se relacionar, a efemeridade das relações. Um aeroporto pode ser até o palco para que essas questões se evidenciem. Mas desde que colocadas de uma forma mais empática, minimamente atraente.

Orly se mostra um filme pedante, excessivamente (ou desnecessariamente) lento, e sem graça. É claro que um ritmo menos acelerado não é necessariamente um demérito para um filme. Mas desde de que sirva para alguma coisa e que não fique na gratuidade. Não recomendo.
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8 Comments

8 Comments

  1. Jairo Souza

    6 de setembro de 2010 at 20:14

    Acho que estamos muito acostumados com o junk, essa busca por uma razão e um desenvolvimento quando assistimos um filme. Acho q um filme não deve ter necessáriamente essa proposta, mas sim, instigar o telespectador de alguma forma, como pelo que vi você ficou instigado com a proposta, da levianidade e efemeridade das relações, e pelo visto essa foi a mensagem que o filme passou para você.

    Pelo que jah li por aqui, você mesmo resenhou "Lost in Translation", que é apenas um dos exemplos que posso citar de como a beleza de um longa não está em fazer sentido, ou ter uma justificativa. Mas sim, podem ser apenas cenas sequenciadas, de dialogos ou situações que nos provoquem alguma reação.

  2. Jairo Souza

    6 de setembro de 2010 at 20:15

    BTW os filmes franceses são mestres nessa arte retratar o cotidiano e o comum!

  3. Fabi

    7 de setembro de 2010 at 0:01

    Puxa, pela sinopse eu tinha ficado interessada em assistir; agora deu preguiça.

    Mas nem 'tô comentando por isso, o que eu quero é parabenizar o João por escrever TÃO bem. Menino, que escrita leve a sua! Gostei muito.

  4. João

    7 de setembro de 2010 at 0:16

    fabi não assiste. tem muita coisa melhor no indie com certeza. brigado pelo que disse! 🙂

    e jairo eu também acho que cinema (arte) não precisa fazer sentido necessariamente. a proposta é que tem que ser interessante, válida como disse. alguns filmes trabalham a tal proposta de orly muito bem. não é o caso. lost in translation por exemplo é fantástico. eu adoro cinema francês. adoro cinema na verdade, mas quando a coisa é bem feita. é o mínimo que se exige não é verdade?

  5. 2T

    7 de setembro de 2010 at 11:37

    uau. nunca tinha visto um post tão nervoso do jão… hahahahha, quero ir no indie e já sei que devo passar longe desse filme. hahaha

    concordo com o jairo. se a pessoa não se controlar, acaba ficando bitolada e parando de prestar atenção no que realmente importa. a busca pelo sentido e coerência não precisa ser determinante para um filme ser bom ou ruim.

  6. Junnel

    7 de setembro de 2010 at 15:39

    #Chupa!! tem q ter uma virada sim!! ahahahahh senao o filme fica chato, e nem vem falar que isso eh coisa de cinema hollywoodiano, pq ate a piada mais simples que a minha mae conta durante as reunioes de familia tem virada.
    Prender a atencao do espectador é essencial e ponto final.

  7. Jairo Souza

    7 de setembro de 2010 at 19:03

    O interesse e atenção vai depender doque cada espectador está buscando Junnel é mt relativo o q prende o não o espectador, mas como o João disse tem que ser no minimo bem feito.

  8. João

    7 de setembro de 2010 at 19:44

    fiquei puto pq me senti perdendo uma hora e meia da minha vida por nada. rs por isso tanta revolta.
    mas já superei!

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Indie Festival 2010

Direto do Indie 2010 Parte 2: Kiyoshi Kurosawa e A Outra

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Se Vire Ou Se Dane! (Katte ni shiyagare!! Godatsu keikaku) é uma série de seis filmes que estão sendo exibidos no Indie deste ano na retrospetiva do diretor japonês Kiyoshi Kurosawa. Tomando como referencial as sinopses de seus (23!!) filmes, nota-se que suas histórias são diversas, embora exista um tema central. Neste Se Vire Ou Se Dane! O Roubo, a primeira parte da série que narra a história de uma dupla de trambiqueiros japoneses Yuji (Sho Aikawa) e Kosaku (Koyo Maeda), vemos já na primeira cena um golpe aplicado pelos dois: eles roubam uma quantia em dinheiro de um vendedor local e fogem sem saber que o que roubaram na verdade era o pagamento de uma dívida com a yakuza. Perseguidos, os dois correm para sobreviver, já sem o dinheiro. Yuji fica mais ferido e acaba coincidentemente sob os cuidados de Ryoko, professora de um jardim de infância por quem se apaixona. Mal sabe ele que à noite, Ryoko é Candy, hostess de um cabaré suspeito por quem seu amigo Kosaku também se apaixonou. A briga pela mulher amada fica de lado, quando tentam ajudá-la a reunir a quantia necessária para levar seu pai, doente dos rins, para os EUA, onde conseguiria uma operação (fato que justificaria a vida dupla da doce Ryoko). É claro que os meios para isso serão os menos lícitos. Atrapalhados como são, tudo pode dar errado. A não ser que seus adversários sejam mais atrapalhados ainda.
O filme é muito divertido. Imaginem uma mistura de Trapalhões na sua melhor época com um filme dos Irmãos Cohen. É o que se tem em Se Vire Ou Se Dane!. Muito recomendado, e todos serão exibidos em sequência no mesmo horário no Cine Humberto Mauro. Eu não perco um. Tem potencial pra refilmagem hollywoodiana.


Já com A Outra (L’autre) o tom muda completamente. O filme francês dos cineastas Patrick Mario Bernard e Pierre Trividi começa com um intenso movimento de uma cidade que não importa muito, já que o que se vê é familiar a toda grande metrópole. Através de uma edição não-linear que vai situando o espectador aos poucos ao mesmo tempo na história e na psiquê da protagonista, conhecemos Anne-Marie (Dominic Blanc, fantástica, tensa, entregue) mulher madura (tem 47 anos), sedutora e que busca independência e liberdade quando rompe um sólido relacionamento com Alex (Cyril Gueï), que dizia amá-la. Mas na busca pela pretensa liberdade vem a solidão, e a constatação de que não era tão insubstituível assim na vida do ex-amante. Já não era mais “a” mulher que reunia as qualidades que o atraíam. Era apenas “mais uma”. Anne-Marie é descartável. Descobrir quem é o novo amor de Alex acaba se tornando uma obsessão. Com isso vem a derrocada emocional e psicológica. Recomeçar não parece ser tão fácil quanto recomenda o comercial de TV. Anne se cobra uma independência e uma auto-suficiência inatingíveis a qualquer ser humano, independente do gênero. O ideal da independent woman não preenche todas as lacunas.
Ciumenta, insegura, quase violenta (já o é nas suas fantasias onde se imagina atirando à queima roupa nesta mulher que ela tenta a todo custo conhecer). Esta “outra” a que se refere o título é também ela mesma, e esses sentimentos/vontades que lhe eram estranhos até então. Depois do ápice da insanidade (cena fortíssima à qual somos levados também num segundo momento, agora com uma certa familiaridade já que conhecemos as motivações daquela mulher) vem a busca pela reconquista da razão. Mais triste que assistir à loucura, é ver alguém que percebe até aonde pode chegar, e tem que continuar vivendo. O final deixa uma sensação de peso, justamente pela possibilidade das situações vistas. Mais um filme sensacional do Indie deste ano.
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Drama

Direto do Indie 2010 Parte 1: A Vida Durante a Guerra

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A Vida Durante a Guerra (Life During Wartime), filme de Todd Solondz que retoma seus tão famosos personagens de 1998 quando realizou Felicidade é uma espécie de carro-chefe do Indie deste ano. Claro que temos Apichatpong Weerasethakul, mas Solondz é certamente o diretor mais conhecido justamente pelo trabalho já citado (e também pelo igualmente forte Bem Vindo à Casa de Bonecas).
Como não produzia nada desde 2004, havia uma expectativa em torno de um novo trabalho seu. Solondz é conhecido por sua visão ácida, irônica e ao mesmo tempo fatalista da realidade e seu foco é nas relações, na medida em que são completamente desastrosas, que não se completam. Relações que consistem na tentativa de se aproximar, já que cada um com seu desajuste acaba por se perder no processo.
É aqui que aparece A Vida Durante a Guerra, seu mais novo trabalho e infelizmente desnecessário. Não é um filme completamente ruim, mas se comparado ao outro que lhe originou é muito fraco. Felicidade tinha certo vigor e ritmo que faltam aqui. A história das três irmãs (Joy, Trish e Helen) era muito mais consistente, sendo que agora tem-se a impressão de que o filme se ancora em situações que funcionaram anteriormente, sem a preocupação pelo novo. Os personagens já não são mais interessantes (principalmente Joy aqui interpretada por Shirley Henderson de forma totalmente afetada e quase irritante) e alguns são retomados de forma um pouco superficial (sobretudo o problemático Bill de Ciáran Hinds e Billy de Chris Marqhette).
Há um foco maior em temáticas como o perdão, culpa, democracia, uma necessidade daqueles personagens de se colocarem num mesmo patamar, nivelando-se, eximindo-se de responsabilidades e fardos que sejam maiores do que aqueles que já possuem. Solondz defende claramente a falência destes ideais, que quando colocados frente às aspirações individuais, perdem sua força. Se existe uma guerra, diz Solondz é a guerra de todos contra todos, travada de forma velada, onde que proteger-se (ferindo) é a melhor forma de atacar.
De qualquer modo A Vida Durante a Guerra não deixa de ter seus momentos interessantes e engraçados, mas que não sustentam todo o filme. Fica a sensação de que nada se acrescentou na história daqueles personagens que conhecemos a 12 anos atrás, apesar da premissa ser de certa forma interessante.
Mas em tempos de Indie, em que escolher um filme é deixar de ver outro, eu não escolheria este.
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Indie Festival 2010

Indie 2010!

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No (bonito) texto de apresentação do Indie deste ano, diz-se que o festival é um estado de espírito. Grande verdade. Época de Indie dá vontade de ver filmes mais que nunca. Vão fazer falta as intermináveis filas do Usina Unibanco, lugar que foi sempre tão característico do evento. Mas houve também a inclusão de um novo espaço de exibições (no Teatro do Oi Futuro Klaus Vianna), e a programação deste ano promete.

Retrospectiva do aclamado diretor Tailandês Apichatpong Weerasethakul (Palma de Ouro em Cannes no Ano passado), que exibe o IMPERDÍVEL Mal dos Trópicos considerado o terceiro melhor dos filme dos anos 2000 pela Cahier du Cinéma (atrás de Cidade dos Sonhos e Elefante); A já tradicional Mostra Mundial tem, entre outras coisas a “continuação” de Felicidade, A Vida Durante a Guerra do sempre polêmico Todd Solondz; além dos também já conhecidos Música do Underground (The Family Jams é documentário com Devendra Banhart) e Indie Brasil (com sinopses especialmente atraentes – dá vontade de ver todos… mesmo).

E por último uma retrospectiva que me deixou curioso: Kiyoshi Kurosawa, diretor japonês com 23 filmes na programação. Fica a dica.

É isso! Como sempre, bom Indie pra todos nós. Acompanhem algumas resenhas aqui no CB. Pra outras coberturas do Indie clique aqui. E pro site oficial para a programação completa aqui.


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Filmes

Bombando!