Crítica: Liga da Justiça (2017)

Contém alguns spoilers.

As expectativas para Liga da Justiça eram muito altas, especialmente após a recepção de Mulher Maravilha. Será que a DC acertou novamente?

O filme de Zack Snyder é, de longe, melhor que a bagunça de Esquadrão Suicida e menos pesado e cansativo que Batman v Superman. Temos aqui um roteiro mais enxuto, humor e cenas divertidas. Ou seja, fica bem claro que os estúdios ouviram os fãs e leram as críticas: o tom sombrio no roteiro e na linguagem visual seguem presentes, mas a comédia entrou em cena e com os personagens certos. Agora, o filme flui bem melhor.

Agradeça ao Flash e à Mulher Maravilha por isso; eles roubam a cena na produção. Enquanto Ezra Miller conquista com suas caras e bocas, Gal Gadot traz, mais uma vez, sua presença e carisma marcantes na pele da heroína. Ben Affleck foi uma excelente escolha para dar vida à versão mais velha do Batman e também prova isso novamente na produção.

Pra ser sincera, não consegui sentir nada demais pelo extremamente complexo Ciborgue (Ray Fisher) e o Aquaman (Jason Momoa) acabou perdendo a graça perto dos dois colegas mencionados no parágrafo anterior. Como o super-herói terá um longa solo em 2018, terá outra chance de chamar a atenção. Sem comentários sobre Superman (Henry Cavill); voltou com a mesma falta de carisma que tinha antes de morrer.

Os buracos no enredo estão presentes, assim como várias cenas descartáveis. Acho que isso é um problema da DC e da Warner na fase de pós-produção dos longas: cortar os diálogos desnecessários. Os mesmos acabam dando um tom meio infantil à produção, você fica meio “Ah, sério mesmo que ele (a) falou isso?”.

Em função disso e outros detalhes, fica difícil não comparar a adaptação dos quadrinhos da DC com as da Marvel. A diferença de qualidade ainda é grande, pois a Disney contrata roteiristas que conhecem muito bem os personagens e desenvolvem enredos de forma mais eficiente. Espera-se que Mulher Maravilha não tenha sido um acidente feliz no universo cinemático da DC, afinal, ainda temos vários outros filmes pela frente.

O desfecho de Liga da Justiça nos dá certa esperança. Não darei spoilers, mas dois personagens aparecem para dar uma ideia do que está por vir e é algo extremamente promissor.

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.