1941 – Uma Guerra Muito Louca | Cinema de Buteco
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1941 – Uma Guerra Muito Louca

1941-destaque 1941 – Uma Guerra Muito Louca

UM FILME DE 1979, chamado 1941 é talvez o pior longa-metragem da extensa carreira cinematográfica de Steven Spielberg. Como adoramos subtítulos, no Brasil a película é chamada de 1941 – Uma Guerra Muito Louca. Além do diretor, assinam o roteiro Robert Zemeckis, diretor da trilogia De Volta para o Futuro e Forrest Gump. E Bob Gale, que assinou o roteiro do primeiro filme da trilogia. Portanto, uma trinca capaz de produzir mais um blockBuster na carreira do diretor.

A história nos é contada a partir de 13 de dezembro de 1941. Seis dias após a tropa aérea japonesa efetuar um ataque surpresa na base de Pearl Harbor. O primeiro em solo americano. Afrontados com aquele tipo de agressão em seu próprio lar, moradores da Costa Oeste começaram a temer uma nova investida japonesa em seu território. Logo, é possível ver pacatos moradores armados e tanques de guerra circulando nas ruas. E é nesse ambiente do já conhecido patriotismo americano, e uma dose de histeria, que Spielberg tenta parodiar o “american way of life”.

Sem dar refresco para esquecermos um pouco quem é Spielberg e deixarmos o filme falar por si mesmo, a primeira cena do longa é uma paródia de Tubarão (1975) onde Denise Cheshire, conhecida como a primeira vítima, é içada por um submarino japonês que busca realizar um novo ataque em solo americano, agora em Hollywood.

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Depois de o diretor nos entregar o seu cartão de visitas, o que se pode observar é uma sequência de esquetes que na maioria das vezes fracassa, um diretor estranhamente confuso e cenas demasiadamente longas, sem serem necessariamente interessantes para o andamento do filme ou muito menos cômicas. Ao assistirmos 1941, nos lembramos de Dirigindo no Escuro(2001), de Woody Allen, onde ele dirige um filme na maior parte do tempo cego, tamanha a falta de uma filmagem autoral que o 1941 nos passa.

Embora não se saiba ao certo em que momento a coisa desandou, o que fica de bom desse fracasso de bilheteria, além das três indicações ao Oscar de Melhor Fotografia, Melhor Som e Melhores Efeitos Especiais, é a capacidade de coesão dos roteiristas em contar diferentes histórias ao longo do filme que se cruzam ao final dele. E a reunião de estrelas que essa obra conseguiu propiciar. Dan Aykroyd, Ned Beatty, John Belushi, Lorraine Gray, Christopher Lee, e a estreia de Mickey Rourke no cinema. E, embora uma filmagem na maioria do longa perdida e exageradamente extensa em algumas cenas, podemos comprovar a técnica apurada de Spielberg em filmar cenas de ação, quando ele trabalha bem com a câmera em movimento.

O 1941 de Spielberg não é totalmente ruim. Há cenas hilárias, principalmente as que John Belushi participa. Paradoxalmente, o problema, no caso, é que ele é dirigido por Spielberg, na época prestigiado pelos filmes Tubarão e Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), e sempre esperamos algo a mais de um diretor desse nível. Como em muitas vezes acontece na vida, a comparação entre o que somos e o que já fomos, pode ser cruel.

1941-destaque 1941 – Uma Guerra Muito Louca

Nota:[duas]

Guilherme de Paula