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A Estrada

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Certo. Talvez a solidão seja o tema central de A Estrada. Mas talvez o filme seja mesmo uma estranha produção que chega para fazer frente ao Lunar em questões de monologos. Mas ao contrário do excelente filme de Sam Rockwell, parece que a adaptação do livro de Cormac McCarthy acaba não funcionando tão bem assim. Pelo menos no que diz respeito a solidão completa dos personagens principais. Para quem não sabe, McCarthy é o responsável pelo livro que deu origem ao vencedor do Oscar 2008 de melhor filme: Onde os Fracos Não Tem Vez.
Podemos dizer que Viggo Mortensen mais uma vez surpreende com sua interpretação do Homem. Se desde O Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei, o ator já vinha arrancando elogios, em A Estrada podemos perceber o quanto ele é talentoso. A trama do longa acaba exigindo que os atores deem o seu melhor e é exatamente o que podemos conferir na tela. O jovem ator Kodi Smit-Mcphee não faz feio e surpreende como o Filho. O filme é dirigido por John Hillcoat e ainda conta com participações de Guy Pearce, Robert Duvall e a estonteante Charlize Theron.
Não sei para você, mas imaginar que o mesmo autor de Onde os Fracos Não tem Vez criou um livro de ficção-cientifica sobre um eventual futuro apocaliptico, é surreal. Mais ainda é ler tantas opiniões sobre o quanto o livro é bom e o filme superou as expectativas. Talvez por não ter lido a obra original, acabei não me envolvendo tanto com a trama. Não consegui ser fisgado pelo drama dos personagens em um mundo escuro e sem leis, onde homens perseguem crianças e mulheres apenas para saciar todas as suas necessidades. Talvez McCarthy tenha tido um momento realmente brilhante ao apresentar sua visão da nossa realidade atual em forma de uma sombria metáfora, afinal, não estamos tão longe de devorar uns aos outros apenas para garantir nossa sobrevivência. Estamos?
Vale a pena reparar nas sequências escuras e na tensão (que o diretor não soube explorar direito), que remete a Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago. Algumas vezes a trilha sonora nos abandona totalmente, deixando apenas aquela amarga e incomoda sensação de que os personagens estão mesmo em um mundo devastado e só podem confiar em si mesmos.

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