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A Fuga

A Fuga - Olivia Wilde

TENHO CERTEZA QUE OS PRODUTORES OFERECERAM O PAPEL PRINCIPAL DE A FUGA PARA O NICOLAS CAGE ANTES DE ERIC BANA SER CONTRATADO. Digo isso considerando que o thriller gelado é exatamente o tipo de filme que Cage costuma aparecer ultimamente. Pelo menos, A Fuga não faz o menor esforço para ser levado a sério. Despretensiosa, a obra, uma história de mocinho contra bandido, funciona como uma boa maneira de passar o tempo. E só.

A trama se inicia com três pessoas dentro de um carro que avança rapidamente por uma estrada no meio de uma nevasca. O carro capota, o motorista morre, e os outros dois passageiros precisam se separar para conseguir escapar e fugir do país. Liza (Olivia Wilde) e seu irmão Addison (Eric Bana) partem e vivem experiências bem distintas. Ela cruza com o azarado Jay (Charlie Hunnam), e ele terá que lidar com várias ameaças, que incluem um índio e uma briga de casal. E eu juro que A Fuga não tem (quase) nada de comédia.

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De cara o espectador já sente que os protagonistas não são um casal de irmãos muito comum. Addison fica quase babando ao observar as coxas nuas da irmã (uma colocação pertinente: Wilde havia interpretado a mãe de Justin Timberlake em O Preço do Amanhã, o que me faz reforçar a tese de que ela gosta mesmo de foder a cabeça de seus parceiros de tela – e do público masculino, óbvio). Aparentemente ela não se importa, na verdade, parece mesmo se divertir com a situação. Talvez seja o único momento em que a personagem interpretada por Wilde demonstre alguma emoção. Estou na dúvida entre achar Liza um porre ou concluir que a chatice é culpa da incompetência da atriz, que, por mais bela que seja, convenhamos, né?


A Fuga - Eric Bana

O galã/mocinho é vivido por Charlie Hunnam (Círculo de Fogo e A Tentação), também conhecido como o resultado macabro de uma experiência genética entre o DNA de Channing Tatum e de Chris Hemsworth. O ator faz um trabalho razoável e se encaixa bem na proposta. O problema são os clichês, como o conflito familiar que pretende dar uma dispensável profundidade dramática à trama. Já Eric Bana (Hulk) deita e rola como o vilão do longa. Quase dá para perceber o ator rindo quando ouve algumas das inspiradas frases do roteiro, como, por exemplo: “minha esposa aparece nos meus sonhos e me disse que você viria me matar”, pérola proferida pelo índio boladão. Nada contra a fé do personagem, mas o contexto em que a frase é jogada no filme me fez engasgar.

Chega a ser surpreendente constatar a eficiência do diretor ao filmar uma cena de sexo entre Wilder e Hunnam. Os dois personagens são completos desconhecidos se deixando levar pelo tesão que sentem no momento e pela expectativa do que pode resultar daquela relação (além de uma possível gravidez, claro). Geralmente, assistimos a cenas de sexo que começam de um jeito explosivo e terminam rapidamente (mais precisamente quando você supõe que tenha ocorrido a penetração ou o gozo dos envolvidos), mas A Fuga vai além. Ignorando cuidados com preservativos (só o magnata pervertido de 50 Tons de Cinza se lembra de usar o plástico quando o clima esquenta), o personagem de Hunnam consome o ato. Ao invés de um corte logo após o orgasmo, a câmera permanece focalizando o casal, deixando no ar a dúvida que paira nos seus olhares: “e agora? Será que existe uma farmácia aberta aqui perto?”. Não me recordo de outro filme que tenha mostrado o que acontece após o fim daquela sensação inebriante que a maioria de nós já experimentou uma ou duas vezes na vida.

A Fuga, como disse, é um thriller produzido apenas para divertir o público que aprecia histórias sem noção que provavelmente terminarão bem. É uma boa pedida para aqueles que sonham acordados com a chance de um dia encontrar uma morena ninfomaníaca, disposta a fazer qualquer coisa por uma carona. Porém, exceto se você for o clone do Thor ou um dançarino de stripper sarado, terá que se contentar apenas com sua imaginação fértil.

 A Fuga - Pôster


Nota:[tres]

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