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A Vez do Visitante: O Contador de Histórias

A sessão A Vez do Visitante costuma rolar sempre no final do mês, mas acontece que o Xi (Rock in Press) resolveu contribuir com o Cinema de Buteco com dois lançamentos. Como tudo na internet é rápido demais, não vai dar para esperar até os últimos dias de agosto para mostrar as postagens do jovem. Espero que gostem!

E que venham mais contribuições!

2T

Roberto Carlos Ramos é o escolhido. Não para reinar um grande país ou ter uma posição privilegiada numa escala de importância de uma empresa, ele foi escolhido pela mãe para tentar ter o futuro que ela não pode dar aos outros 10 filhos.

O Contador de Histórias, dirigido por Luiz Villaça, é a história real contada em um livro por um desajustado Roberto Carlos, filho de mãe miserável, com uma grande família de cor negra, que viu (no caso a mãe) a sua única oportunidade de ser alguém na vida na FEBEM, que como todos sabem, hoje é o local onde menores infratores são levados para pagar suas penas. Na época (década de 70), a FEBEM acolhia, em forma de internato, crianças que não tinham condição de estudo ou moradia. O intuito da casa era dar mais educação aos que não podem e transformá-los em doutores, engenheiro ou professor, o que no caso, não ocorria, devido a diversos fatores que só transformavam as crianças em verdadeiros favelados e ladrões, quando fugiam da casa.

O filme é um retrato poético de uma realidade que não vemos mais hoje. O que você acha de uma francesa em estágio no Brasil, olhar uma criança e acreditar que pode mudá-la? Uma criança que a roubou, que mentiu, e até a diretora da FEBEM tem-la como ‘perdida’, ‘irrecuperável’ e outros adjetivos poucos saborosos a nossa boca, mas que uma pessoa acreditou que pode mudá-la com somente amor? É assim que Margaret, vivida por Maria Medeiros, trata Roberto Carlos, com uma genial interpretação do menino Paulinho Mendes e do ex-traficante Cleiton Santos. A grande dica que fica no ar, é que mesmo que os anos passem, a única coisa que vai mudar esses jovens é o amor, a atenção e o carinho que eles nunca tiveram.

Os momentos duros que o filme passa, se contrastam com a imaginação do garoto e sua louvável facilidade de pensar em coisas além de sua realidade. Um dom que o transformou num dos dez maiores contadores de história do mundo, um alguém que pode ter assaltado sua avó, por exemplo. Um alguém que fala francês, que é pós-graduado em Letras, com ênfase em literatura infantil, mesmo tendo aprendido a ler e escrever com somente 14 anos. Roberto Carlos é uma exceção, uma sorte que foi curada de todo o mau com amor de uma mãe, mas um único em milhões de crianças e jovens que circulam as ruas e favelas todos os dias, sem condição de estudo ou mesmo de viver. Roberto é a esperança que um dia quis morrer, mas nasceu de novo, para ser mais que alguém num mundo dos normais superáveis.

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