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Albert Nobbs

ALBERT NOBBS NA VERDADE É UMA MULHER QUE SE VESTE DE HOMEM COMO MEIO DE SOBREVIVER EM MEIO A UMA SOCIEDADE MACHISTA E SEGMENTADA NO SÉCULO XIX. A pretensa proteção que a aparência masculina deveria conferir a esta solitária figura nunca se torna uma realidade: seu olhar, seu modo de falar, de andar, tudo remete a um medo, a uma negação constante de suas vontades em favor do olhar do outro. Não só pelo segredo que esconde, mas por querer passar despercebido, não ser visto, como quem não é digno de um olhar mais generoso. E assim Albert Nobbs segue sua rotina de trabalho eficiente em um hotel, guardando pequenas quantias de dinheiro que um dia lhe ajudarão a realizar seu sonho: ser dono de uma tabacaria.  O filme de Rodrigo Garcia (diretor com cinco filmes apenas medianos em seu currículo – incluindo o pavoroso Passageiros) tem um personagem com muito potencial em suas mãos. Uma pena que ele não seja bem aproveitado. O grande problema está no roteiro de Albert Nobbs: a falta de foco.

Adaptada por John Banville e por Glenn Close, a história já foi uma peça encenada pela atriz em 1982, que agora reprisa o papel do protagonista. As nuances que Close consegue conferir à personalidade de Nobbs são impressionantes (além da caracterização – impecável). Nobbs é concebido pela atriz como uma criatura amedrontada, intimidada, embora repleta de desejos e vontades (um dado presente em todo o filme, embora mal trabalhado). Uma fragilidade sem excessos. O dado da sexualidade também é representado com delicadeza  Acompanhamos a trajetória de Nobbs no momento em que ele se descobre como capaz de realizar seus sonhos. Todos ali são vistos como figuras sonhadoras, ambiciosas. É por não sabe lidar com toda esta variedade de histórias que o roteiro se perde, e acaba por esvaziar a história de Nobbs.

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É a inserção de outras subtramas que compromete o resultado final, já que em alguns momentos o que vemos é um tom novelesco. A direção é correta, e a edição dá certa agilidade à história. Mas a invisibilidade de Nobbs e a forma como isto poderia gerar uma série de relações se torna uma trama boba de amor não correspondido  que compromete o final, tornando-o anticlimático, quando deveria ser completamente o oposto.

Toda a composição de época está minimamente correta em Albert Nobbs, inclusive a fotografia favorece o plano psicológico em que se encontram todos aqueles personagens: a falta de cor, uma excesso de cinza, cria um ambiente opressor e triste, onde não há lugar para grandes felicidades, apenas para pretensões medíocres.

Infelizmente é o que o filme se mostra no final: um projeto antigo de Close, que se mostra insípido. Mais um filme da temporada de premiações que não se salva pela boa performance de sua protagonista ou pela forma menos condescendente com que levanta bandeiras (problema de Histórias Cruzadas por exemplo). Uma pena.

 

 

Título original: Albert Nobbs

Direção: Rodrigo Garcia

Produção: Glenn Close, Bonnie Curtis, Julie Lynn, Alan Moloney

Roteiro: Glenn Close, John Banville

Elenco: Glenn Close, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Jonathan Rhys Meyers, Brendan Gleeson, Mark Williams, Janet McTeer,Maria Doyle Kennedy, Pauline Collins, Brenda Fricker, Bronagh Gallagher

Lançamento: 2011

Nota:  

 

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