Crítica: Aliados (Allied, 2017), um filme de Robert Zemeckis
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Crítica: Aliados (2016)

critica-aliados-poster Crítica: Aliados (2016)O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Aliados possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

ROBERT ZEMECKIS É UM DOS MEUS CINEASTAS FAVORITOS. Hoje em dia existem tantos produtores ruins espalhando gonorreia cinematográfica por aí que é preciso abraçar nossos ídolos com unhas e dentes. Zemeckis é um daqueles artistas que conseguem transitar de um gênero para o outro com talento, eficiência e uma sensibilidade ímpar, mesmo quando aborda um romance com dois protagonistas que demonstram uma frieza fora do comum, como é o caso de Aliados (Allied, 2016).

Escrito por Steven Knight (responsável pelo roteiro de Senhores do Crime, de David Cronenberg; e roteiro e direção de Locke, com Tom Hardy), Aliados trabalha um romance com tudo ao seu favor. Ou você acha mesmo que uma trama romântica que se passa em Casablanca e conta com dois espiões interpretados por Brad Pitt e Marion Cotillard poderia dar errado?

O trunfo maior da narrativa é ter subvertido a expectativa de quem viu o trailer. Quem acompanha o meu trabalho no Cinema de Buteco deve saber que me recuso a assistir trailers, já que eles fodem a experiência de todo mundo contando demais da história. Parecia que o filme inteiro seria sobre Brad Pitt tentando inocentar a sua esposa, mas isso só começa a acontecer na metade final do longa-metragem. A melhor parte é que não entram no clichê de fugirem e serem perseguidos, já que o conflito é encerrado brevemente com o suicídio de Marianne.

Muitos amigos reclamaram da falta de “calor” e química entre o casal. No entanto, é preciso considerar que estamos falando de um casal de espiões. Precisamos esquecer que Brad Pitt contracenou com a sua ex-esposa Angelina Jolie na comédia Sr. e Sra. Smith, uma obra sobre um casal de espiões que recebe a missão de matar um ao outro por suas respectivas agências. Ali temos uma paródia exagerada que serve como metáfora para relações amorosas complicadas. Aliados não tenta fazer humor e oferece uma dupla de profissionais que simplesmente se apaixona, sem que isso afete suas características pessoais.

Há um grande teor de sensualidade no envolvimento de Max e Marianne. Desde o primeiro momento em que trocam olhares, já podemos sentir a tensão sexual tentando afetar o desempenho profissional de cada um. Num divertido diálogo durante o café da manhã, ele tenta deixar claro que transar pode foder com a vida da pessoa. Enquanto ela retruca provocando com a quantidade de vezes que ele falou “foder”. Essa tensão explode durante a sequência em que eles finalmente “fodem” dentro do carro enquanto esperam uma tempestade de areia passar.

Zemeckis criou dois filmes, praticamente. O primeiro é sobre um romance proibido entre dois agentes secretos que se conhecem no local mais romântico do mundo para o imaginário dos cinéfilos; enquanto o segundo é sobre as suspeitas de um marido, quase que numa alusão à insegurança de um indivíduo num relacionamento. Ao invés de uma possível traição conjugal, a desconfiança surge quando a esposa é acusada de ser uma espiã infiltrada. Max começa a ser consumido por perguntas que não consegue responder e se arrisca muito até encontrar a verdade.

Aliados é um romance de guerra imperdível e uma aula sobre como relacionamentos frios não significam necessariamente a falta de amor. Mais ainda, é uma bela história sobre como somos capazes de perdoar os erros de nossos pares, justamente por sentirmos um amor incondicional que passa por cima de qualquer coisa.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.