Crítica: Amor Sem Fim, de Shana Fest
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Amor Sem Fim

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AMOR SEM FIM TALVEZ MEREÇA UMA ANÁLISE MAIS PROFUNDA daquela que estou inclinado a oferecer nas próximas linhas. O crítico Márcio Sallem chegou a brincar que a vida era curta demais para gastar horas preciosas escrevendo uma crítica sobre a obra estrelada por Alex Pettyfer e Gabriella Wilde. Eu concordo, mas em tempos de Copa do Mundo, talvez essa seja uma boa opção para você ir ao cinema acompanhado para queimarem dinheiro ou simplesmente se divertir com uma história realmente bizarra de amor.

Na verdade, não é bem bizarra. Talvez Amor Sem Fim seja um daqueles filmes incompreendidos, cuja genialidade está avançada demais para a compreensão dos reles mortais. Afinal, ele é basicamente sobre nada.

Veja bem. David (Pettyfer) é um jovem que precisa vender o almoço para comprar a janta. O seu complexo de vira-lata é tão intenso (e previsível) que ele acaba se apaixonando justamente pela menina rica linda (Wilde). O problema é que o pai da guria é o cão chupando manga. O sujeito é ciumento demais para permitir que um caipirão namore com o seu “anjo”, e torna a vida do pobre David um inferno. Ou perto disso.

Esse é o lance de Amor Sem Fim. Existe ainda o fato do drama se desencadear depois que os adolescentes invadem um parque e são presos. Tipo. Eles são jovens. Por definição, exceto para aqueles que vivem com a bunda na cadeira, isso significa ter um comportamento de risco. Comprar pílula do dia seguinte depois do final de semana. Andar sem cinto de segurança ou em cima do capô do carro cantando “Heroes” ou gritando “Sou o Rei do Mundo”. Ser jovem é isso, ora bolas. Mas no longa-metragem isso é condenável o suficiente para fazer o sogrão “sequestrar” a própria família e tentar criar um abismo imenso entre David e Jade.

A obra é pretensiosa ao tentar oferecer uma história profunda de romance e reflexões sobre temas recorrentes em nossas vidas, como a velha questão do pai ciumento não aprovando a filha namorando com um cara mais pobre. Amor Sem Fim escorrega do começo ao fim, sem nunca conseguir alcançar o objetivo de entregar uma história madura. Com personagens fracos e a ausência de um real motivo para justificar sua existência, a produção é só uma perda de tempo boba, imatura e desinteressante.

Vale botar um reparo no visual de Pettyfer. O sujeito é bonitão, mas não dá para lidar com ele interpretando um adolescente bobinho. De novo. Já não bastava Magic Mike? Será que os produtores de Hollywood não enxergam potencial maior (ui) nas habilidades do rapaz? Aliás, preciso admitir que esperei o tempo inteiro pelo momento em que haveria uma passagem de tempo. Sei lá. Vai que Diários de Uma Paixão serviu de referência para o roteirista? (Na verdade, é preciso dizer que o longa-metragem é uma nova adaptação de um livro lançado em 1979, por Scott Spencer) E isso até facilitaria a aceitação de Pettyfer naquele papelzinho medíocre. Esperei por muito tempo e tive que aceitar que não aconteceria. Amor Sem Fim ficaria eternamente naquela lenga-lenga juvenil. Nessa verdadeira punheta cinematográfica mal batida.

No entanto, verdade seja dita. Se você for uma pessoa que admira as produções que passam na Sessão da Tarde (aquelas em que você pode dormir o filme inteiro e ainda assim entender tudo que aconteceu), provavelmente se divertirá com Amor Sem Fim. Ou não.

Assista ao trailer:

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[duas]

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.