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.Apenas o fim

“Agora, é o resto de nossas vidas”, puxa o “S” para forçar o sotaquezinho ora charmoso, ora irritante dos cariocas. Essa é uma das frases de efeito de “Apenas o fim”. O roteiro de Matheus Souza, estudante da PUC Rio, é repleto delas.
O filme gravado no próprio campus da PUC, com baixo orçamento e atores desconhecidos do grande público, com exceção de Érika Mader, despontou como um dos maiores lançamentos do cinema nacional no ano de 2009 e conquistou admiradores, mesmo com breve passagem pelos cinemas, caso de BH onde ficou em cartaz pela “eternidade” de duas semanas.
Apenas o fim flui em um grande diálogo travado pelos personagens principais, Adriana e Antônio interpretados por Érika Mader e Gregório Duviver. A mesma idéia usada em Antes do por do sol, a diferença está na densidade dos diálogos, no caso do nacional bem menos existencialista, e nos cenários bem menos glamurosos. Por isso a comparação entre os dois é completamente superficial, só assistindo a pessoa chega a essa conclusão.
O filme se desenvolve naturalmente em planos simples e diretos. Ela terminando o namoro, ele tentando convencer ela a ficar, tudo isso intercalado com flashbacks de momentos românticos dos dois, e referências a cultura pop principalmente dos anos 90; coisas como cavaleiros do zodíaco, Power Rangers, gibis e Mcdonalds. O mais bacana é que mesmo nos momentos mais decisivos do filme não há drama, e mesmo quando Adriana parece estar em dúvida sobre o destino dos dois separados, a despedida é a mais civilizada possível. Todo mundo não gostaria que fosse assim?
Confesso que não fui conquistada na primeira vez que assisti, achei nerd demais, indie demais, haha ,além do meu preconceito com cinema nacional. Preconceito esse que estou perdendo. É óbvio que acabei assistindo o filme mais de uma vez, deixei de lado as críticas negativas que eu tinha lido, e me dediquei a entender a perspectiva do Matheus Souza. E foi assim que acabei me apaixonando, não apenas pela história de amor de Adriana e Antônio que parece ter hora certa para acabar, mas sim pela forma como ela é contada, o fato do fim não precisar ser aquele sofrimento sem fim, amor não deixa de ser amor por que as pessoas não ficam juntas para sempre.
No fim das contas eu me identifiquei com cada detalhe do filme, a paixão pela cultura pop, os diálogos engraçadinhos, e até o título do filme, sim o título. O ponto final antes do título que se traduz na idéia de um novo começo.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Matheus Souza
Elenco: Erika Mader, Gregório Duvivier, Marcelo Adnet, Nathalia Dill, Anna Sophia Floch, Álamo Facó e Julia Gorman.
Produção: Julia Ramil, Mariza Leão
Roteiro: Matheus Souza
Fotografia: Julio Secchin
Trilha Sonora: Pedro Carneiro
Duração: 80 min.
Ano: 2008
País: Brasil
Gênero: Comédia Dramática
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Classificação: Livre

Redação do Buteco

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Comentários

  1. Assisti esse filme com o Wendel no dia dos namorados de 2009, que ironia, né? Tudo pra dar errado: já no começo do filme vc já sabe como ele vai terminar, e logo no dia dos namorados! Hahahah!
    E eu com esse meu namorado nerd! Mas como eu estou longe de ser a Érika Mader, o filme fugiu um cadinho da minha realidade.

    A comparação com Antes do Pôr do Sol e Antes do Amanhecer (filmes lindos que eu adoro) pra mim não é tão superficial assim. Digamos que é como uma adaptação a nossa realidade: a geração 90 num país de 3o mundo, numa cidade turística.

    Os diálogos são muito bons, e bastante inteligentes. E apesar da situação, bem sutis.

    Os atores são figurinhas carimbadas aqui no Rio, tanto no teatro como nas novelinhas adolescentes daquela emissora famosa. E o Gregório Duviviver é apaixonante =p