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Assédio Sexual

Aposto que todo mundo já ouviu aquele ditado que diz que “bonzinho só se ferra”. Pois é. O filme Assédio Sexual conta mais ou menos uma história assim. Digo mais ou menos porque o nosso personagem principal (interpretado por Michael Douglas) acaba não sendo tão bonzinho assim. Mas pudera. Quem diabos conseguiria se manter calmo depois da pressão sinistra de uma gostosa Demi Moore sedenta por sexo selvagem? Acho que nem o Rubinho Barrichello ia perder essa.Durante o desenvolvimento da história, uma personagem diz que o assédio sexual não tem relação com o sexo. A verdadeira natureza do crime (cuidado quando forem tocar nos companheiros. em qualquer lugar) é a de demonstrar poder. Subjugar o outro. A maioria dos casos envolve um homem querendo mostrar que é o chefão dando em cima da nova secretária, que pode até correr o risco de gostar da situação por se ver dominada e com a possibilidade de segurança no emprego, mas em Assédio Sexual a história se inverte. Nosso macho encolhe (não moralmente) diante a fúria ardente que domina a sua nova chefe. A mulher banca todo um jogo de sedução, ignora os 32 “não” que o cara grita enquanto recebe uma bela chupada e fica fula da vida quando depois de ter a calcinha rasgada e levar uns tablefes na cara enquanto ouvia “então você quer trepar? quer trepar?”, o gostosão do Michael Douglas percebe que está agindo como um verdadeiro animalzinho e foge o mais rápido possível. Onde já se viu homem negar fogo para uma ninfomaníaca super poderosa e independente? Lógico que ela ia ficar com sangue no olho e sair atrás de uma vingança apostando que ninguém iria acreditar que o cara era inocente.

Baseado em um romance de Michael Crichton, Assédio Sexual não é um filme que gira em torno do tal “crime”. Existem várias conspirações ao fundo para tirar o personagem de Douglas da empresa e o truque de Demi Moore foi apenas mais um deles. Talvez este seja o maior defeito da produção. É criada toda uma expectativa relacionada à abordagem deste tema polêmico e bem, não temos absolutamente nada de interessante. Uma pena.

Uma coisa interessante seria discutir o que é o assédio sexual. Mas deixo aberta a discussão para os comentários. Usem e abusem. De qualquer forma, acho isso uma desculpa furada de pessoas reprimidas. Uma coisa é forçar alguém e outra é incomodar. A gente é incomodado o dia inteiro com várias coisas banais como o vizinho escroto que escuta axé de manhã ou o pedreiro que resolve cantar a sua namorada. Nós tomamos providências? Não, principalmente porque não moramos no bairro do salgado e estamos bem distantes do padrão de comportamento de figuras miticas como Lindomar, O Subzero brasileiro; Jeremias José e várias outras personalidades das redondezas. Não estou dizendo que é permitido chegar e bolinas a sua colega de sala peituda, mas toda a situação de assédio fica superestimada às vezes. Se a tal turbinada não está nem aí para você, desencane. Mas se não for o caso, qual o problema em arriscar? Nunca se sabe o que pode acontecer. Os relacionamentos são como o jazz: sempre uma surpresa. Além do mais, quem provoca tem que saber medir as consequências. (que venham as pedras)

Ficha Técnica:
Assédio Sexual
(Disclosure, 1994)
Dirigido:
Barry Levinson
Roteiro: Paul Attanasio, baseado em livro de Michael Crichton
Genêro:
Suspense
Elenco:
Demi Moore , Michael Douglas
Trailer

 

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