Batman Eternamente

NA ÉPOCA EM QUE BATMAN ETERNAMENTE FOI LANÇADO, eu era um pirralho catarrento com dez anos de aporrinhação diária na vida dos meus pais e tinha o Batman como o meu herói favorito, especialmente porque “minha primeira vez” (no cinema, porra! bando de tarado!) foi com Batman – O Retorno, de 1992. A adoração ao Homem-Morcego seria o suficiente para garantir meu interesse de assistir Batman Eternamente, mas ainda existia a presença do meu querido Jim Carrey como o vilão Charada. Aquilo tudo junto era demais para o meu coração, que completamente apaixonado ficou cego para quaisquer defeitos que o filme de Joel Schumacher pudesse apresentar.

Hoje, quase vinte anos depois, a impressão que fica é que Schumacher é um fanfarrão safado e com fetiche em bundas de borracha, afinal foi com ele que começou essa putaria de usar os restos deixados no lixo do apartamento da Mulher-Gato no filme anterior. Se alguém puder me explicar qual a função da câmera em filmar a droga do traseiro do Batman dentro daquela caverna escura, ficarei muito agradecido (só que não. Se alguém conseguir explicar isso deve ser tão ou mais pervertido que o Schumacher). O senso de humor criado nos filmes de Tim Burton (que volta apenas como produtor e é homenageado na cena final) perde seu brilho e é substituído por gags que estariam melhor na série dos anos 60.Aliás, verdade seja dita, o humor involuntário é uma marca de todos os filmes do Batman. Nem mesmo Nolan escapou disso, mas pelo menos conseguiu usar os momentos com inteligência e um timing quase perfeito.

Batman Eternamente é o começo da “queda do morcego” no cinema. O herói é interpretado por Val Kilmer (um homem loiro e que mesmo depois de ser lambido pela Michelle Pfeiffer e apalpar a Kim Basinger fica embasbacado ao bater os olhos em Nicole Kidman – tudo bem, podem dizer que não era ele nos outros filme. eu aceito a desculpa) e dessa vez terá que lidar com mais uma ameaça dupla: o maluco do Duas Caras (Tommy Lee Jones) e o delinquente Charada (Jim Carrey), mas agora ele poderá contar com a ajuda do seu fiel escudeiro Robin, também conhecido como o “Menino Prodígio” (Chris O`Donnell).

O terceiro filme da série já começa com um clima diferente: a trilha sonora de Danny Elfman é trocada pelo trabalho de Elliot Goldenthal, que apesar de ser um compositor inferior, conseguiu criar um tema eficaz. Bruce Wayne está se preparando para mais uma noite dura e quando Alfred lhe pergunta se gostaria de comer um sanduíche, ele simplesmente diz que “pegaria no drive thru”. Eis o nível das piadas que estão no roteiro de Batman Eternamente, que além de ter momentos “inspirados” ainda consegue deixar grandes buracos, como o fato de Wayne socar a cara de todos os bandidos que estavam tocando o terror no circo e ninguém dar a mínima, ignorando completamente o fato do ricaço de Gotham City ser um lutador capaz de derrubar uma gangue armada.

Felizmente o espectador (masculino) é presenteado com uma versão periguete de Nicole Kidman, que interpreta uma psicóloga que está doidinha doidinha para analisar melhor o que está por baixo daquela roupa de borracha. Kidman é um dos pontos altos do filme, embora seu melhor momento seja justamente por um ponto baixo (ela está de vestido e então é derrubada em um abismo. Por milésimos de segundos fui o homem mais feliz do mundo, mas logo a cena acabou, o Robin apareceu dando um faniquito e gritando “Thanks” com a voz mais aguda que do Anderson Silva, e eu interrompi o filme para assistir De Olhos Bem Fechados… mentira). Os vilões dão um show, especialmente o Charada, que em alguns momentos me fez lembrar do jeito que Heath Ledger caminhava em O Cavaleiro das Trevas.

Voltando a falar sobre a trilha sonora do filme, é deste filme que está o tema mais famoso dos filmes do Batman: “Kiss From a Rose” só é tocada parcialmente após “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me”, do U2, durante os créditos finais, mas foi a canção que apresentou Seal para o mundo e o transformou em mais um artista de uma música só. Mas podia ser pior: a música poderia ter embalado o momento derradeiro em que Batman e Robin correm para atender a mais um chamado do bat-sinal. Oh, espere…

Nota:  

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.