Butch Cassidy e Sundance Kid

É comum vermos o povo admirar por pessoas que conquistam notoriedade, por ações positivas ou não. O fascínio por bandidos é coisa antiga. Talvez porque eles conseguiram fazer coisas extraordinárias, enganar muita gente e dar um rodo na perseguição oficial. Os grandes vilões do faroeste americano são tão admirados que vão parar no cinema como heróis, numa inversão bem interessante de valores. Em Butch Cassidy e Sundance Kid (Butch Cassidy -1969), de George Roy Hill, os dois foras-da-lei mais charmosos do oeste são apresentados em tom de comédia e é impossível não morrer de amores pelos bandidos.

Cassidy (Paul Newman) e Kid (Robert Redford) são personagens reais, integrantes de uma famosa gangue, o bando Hole in the Wall (Buraco na Parede), que assombrou os Estados Unidos. No roteiro, Willian Goldman deixa de lado o terror e investe na graça. No início da projeção, cenas sem sépia, ao som típico de projetores de cinema.

Vemos como Sundance Kid engana os jogadores de pôquer e já ficamos fãs da sua perspicácia e desenvoltura. Acompanhamos Butch usar de ironia com os dissidentes da gangue do Buraco na Parede e “arquitetar” um grande assalto a um trem, que desencadeia todo o restante da ação.”Quem são essas caras?” é a pergunta que a dupla repete durante boa parte do filme.

Entre crimes e fugas, a dupla e a fiel companheira Etta deixam os Estados Unidos e levam sua irreverência para a Bolívia, “seja lá onde ela for”. Lá, vivem o dilema entre viver a vida de crimes ou fazer parte do sistema. Mais sobre o filme é impossível falar, é preciso ver.

O que torma a obra clássica, além da dupla de atores e do roteiro delicioso, são cenas como a grande explosão do trem, o hilariante assalto em espanhol, os tiroteios, os dois anti-heróis puxando o cão do revólver com a mão espalmada, a apresentação de Etta, personagem de Katharine Ross, dentre outras. E o belo passeio de bicicleta ao som de “Raindrops keep falling on my head”, escrita por Burt Bacharach especialmente para o filme.

Butch Cassidy e Sundance Kid foi indicado ao Oscar de melhor filme (John Foreman), diretor (George Roy Hill) e som (William E. Edmondson e David Dockendorf). Venceu quatro prêmios: roteiro (Willian Goldman), fotografia (Conrad L. Hall), música (Burt Bacharach) e canção (Burt Bacharach, Hal David). Está listado entre os 1001 filmes para ver antes de morrer e nos 100 melhores filmes da Revista Bravo.

  • 2T

    esse é daqueles filmes indispensáveis… e que não vi.

Aline Monteiro

Sou da ala mineira do CdB. Aliás, da ala mineira do interior. Sou de Ouro Preto, cidade com um único e solitário cinema, sem programação comercial, mas com um festival anual que traz sempre filmes novinhos em folha. Aqui, raramente vou falar de lançamentos. Só de filmes que já foram, mas que ainda fazem a gente suspirar.