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Chinatown

O CINEMA DE BUTECO AVISA: O TEXTO A SEGUIR POSSUI SPOILERS

A INFLUÊNCIA NOIR BATEU FORTE NA ERA DA CHAMADA “NOVA HOLLYWOOD”. Uma das obras que mais seguem essa linha é o clássico Chinatown.O filme se passa no ano de 1937, em Chicago. Jake Gittes é um detetive da região, mas já foi policial em Chinatown. Segundo Gittes, tudo era pior naquele bairro de chineses.

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No início do filme percebe-se a frieza e o tédio na vida do detetive. Sua primeira cena apresenta sua forma automatizada de informar más notícias. Ele entrega as fotos da esposa com o amante para o seu cliente e logo em seguida lhe oferece uma bebida forte ao marido em prantos. A forma com que ele fez isso deu a entender que aquele ritual era de praxe em seu escritório.

Sua próxima cliente pede para que Gittes desvende a traição do marido. Jake chega a resistir em pegar o caso, mas a mulher insiste e alega ter muito dinheiro para pagar pelo serviço. Ao levantar informações a respeito do homem, Gittes descobre que se trata de um funcionário público de alto nível. Devido a suas decisões no sistema de abastecimento de água, causa indignação em lavradores, que necessitam da mesma para continuarem plantando durante a seca.

 Evelyn procura Gittes, que descobre ter sido enganado pela 1° mulher  que o procurou e que o caso está na imprensa. A investigação parte para outro lado: o caso é muito mais sério do que uma simples traição. Trata-se de um esquema milionário para distribuição de água durante a época de seca na cidade. Tudo isso gerou uma enorme onda de violência para derrubar quem fosse contra.

O chefão por trás da maracutaia é Noah Cross, um sujeito mau caráter que abusou de sua filha Evelyn quando a garota tinha 15 anos. A menina engravidou do pai, concebendo assim a sua filha-irmã Katherine. Além disso, Cross armava um plano para dominar o abastecimento de água da cidade, para escravizar os dependentes desse recurso.

Uma das frases mais marcantes do cinema faz com que essa obra termine com o gosto amargo de uma situação mal resolvida: “Forget it, Jack. It`s Chinatown (Deixa pra lá, Jake. É Chinatown).” É fácil reconhecer que o seco e vulgar Jake Gittes ficou aflito ao ver a tragédia. Naquele momento, o personagem de Nicholson saia de sua casca e prova que é humano.

O time envolvido em Chinatown é de primeira: Roman Polanski como diretor, o roteirista Robert Towne, o grande Jack Nicholson como protagonista e a atriz Faye Dunaway. O resultado é um filme impecável, sóbrio e ao mesmo tempo gelado. A beleza da obra está em todas as partes: o roteiro, no cenário, figurino, fotografia… Até Nicholson ficou bonitão.

Polanski passava por momentos difíceis. O diretor havia ficado viúvo de Sharon Tate (morta brutalmente em 1969) e por isso vivia um momento de fúria e reclusão. Ao retratar Chinatown de forma nua e crua, o diretor foi certeiro e fez juz à sua geração hollywoodiana: não havia mocinho ou bandido, todos eram culpados por algo. Essa conversa de “final feliz” já acabou há muito tempo.  Em resumo: o filme é genial, Polanski é o cara e por isso merece 4,5 caipirinhas com pouco açúcar e muita cachaça.

Título original: Chinatown

Direção: Roman Polanski

Roteiro: Robert Towne

Elenco: Jack Nicholson, Faye Dunaway, John Huston, John Hillerman

Nota:

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