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Clube dos Cinco

Clube dos Cinco

Clube dos Cinco é sobre um grupo de adolescentes dos anos 80 em detenção em um sábado na escola. Essa premissa pode fazer com que alguns o subestimem, mas o filme é extremamente competente. Na verdade, o fato de as pessoas desvalorizarem-no por ser um filme adolescente exerce com ele um interessante diálogo, afinal, ninguém leva aqueles jovens realmente a sério. O longa se inicia com uma citação de “Changes”, do David Bowie: “E essas crianças nas quais você cospe / Enquanto tentam mudar seus mundos / São imunes às suas consultas / Elas estão bem cientes do que estão passando”. Esse trecho passa a essência da película, pois os jovens que a protagonizam não valorizam os adultos que não os levaram a sério durante suas vidas.

A obra conta com cinco personagens principais, apresentados segundo estereótipos: um cérebro (Anthony Michael Hall), um atleta (Emilio Estevez), um caso perdido (Ally Sheedy), uma princesa (Molly Ringwald) e um criminoso (Judd Nelson). Com o tempo essas máscaras caem e conhecemos mais profundamente cada um dos personagens. Eles devem compor, logo no início, uma redação sobre quem acreditam ser, mas isso é irrelevante — como afirmado no próprio filme —, tendo em vista que Mr. Vernon (diretor) há de encará-los da maneira que bem desejar: de forma estereotipada.

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Incidentalmente, a forma como os personagens lidam com as autoridades é notável: todos os cinco apresentam problemas familiares. Brian (cérebro) planejava se matar por ter tirado uma nota baixa, pois não saberia lidar com tamanha pressão. O pai de Bender (criminoso) o agride e queimou um charuto em seu braço por ter derramado tinta na garagem. Os pais de Claire (princesa) usam-na como forma de evitar o divórcio. É tão exigido que Andrew (atleta) se torne um campeão que ele gostaria que seu joelho não aguentasse mais para que não lhe fosse mais necessário lidar com isso. No entanto, o mais triste de todos é o caso(perdido) de Alisson : os pais dela simplesmente a ignoram.

Clube dos CincoO roteiro conta com excelentes diálogos, como os da cena em que os jovens falam sobre a causa de suas detenções, desenvolvendo de maneira sutil e intimista todos os cinco protagonistas. Funcionando sempre de forma orgânica, o que nos permite adentrar o universo das vidas que retrata, constitui um relato belo e sincero não só destes personagens, mas, até um certo ponto, de todos os adolescentes.

É curioso perceber que John Hughes — que também fez o fenomenal Curtindo a Vida Adoidado, outra pérola dos anos 80 — oferece um grande enfoque no lado psicológico dos personagens, desenvolvendo-os de forma muito efetiva. Mesmo sabendo que o que Andrew fez foi cruel, nós entendemos o que o levou a fazê-lo e compadecemo-nos de sua dor. A despeito de ter cometido tal atrocidade, ele se mostra um sujeito extremamente empático, chorando ao comentar seu erro.

Dessa forma, Hughes fora capaz de criar uma grande obra, apresentando um sensível — e divertido — estudo sobre adolescentes, concretizado com belíssimas atuações. Quase uma cápsula do tempo dos anos 80, sua ótima trilha sonora, notória pela canção “Don’t you (forget about me)”, da banda Simple Minds, é mais um acréscimo à sua excelência. Não obstante, Clube dos Cinco não se limita ao retrato que compõe de seu tempo, perdurando principalmente não por sua característica atmosfera, hoje iconicamente relacionada à sua época, mas por sua empatia e humanidade.

 The Breakfast Club - Clube dos Cinco - Poster

Título original: Breakfast Club
Direção:  John Hughes
Produção: John Hughes, Michelle Manning, Ned Tanen
Roteiro: John Hughes
Elenco: Emilio Estevez, Paul Gleason, Anthony Michael Hall, Judd Nelson, Molly Ringwald.
Lançamento: 1985
Nota:[cinco]

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