Crítica: Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de Steven Spielberg
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Contatos Imediatos de Terceiro Grau


contatos-imediatos-do-terceiro-grau-04-600x255 Contatos Imediatos de Terceiro Grau
APENAS DOIS ANOS DEPOIS DO SUCESSO ESTRONDOSO DE TUBARÃO, o cineasta norte-americano Steven Spielberg apresentou ao mundo o elogiado sci-fi Contatos Imediatos de Terceiro Grau. No mesmo ano, em 1977, outro clássico da ficção-científica também foi lançado: Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança. Mas enquanto a obra de George Lucas se preocupa mais com as aventuras espaciais e o conflito entre o bem e o mal, Spielberg investiu em um tom mais dramático e intimista para a produção.

A vida de um homem é virada ao avesso depois que ele acidentalmente faz contato com uma nave espacial. Convencido de que algo muito especial está para acontecer, ele passa a viver o dia inteiro apenas relembrando a sua experiência e com isso acaba brigando com sua família e perdendo o emprego.

Há uma grande comoção quando se fala de Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Ele sempre surge em listas de grandes sci-fi da história do cinema e isso acaba gerando uma certa expectativa do espectador, ainda mais quando sabe que Spielberg é o homem responsável pelo filme. No entanto, não consegui entender o motivo para tantos elogios. A assinatura de Spielberg está presente: uma criança desaparece, há uma relação pai/filho delicada, a mãe amável, as autoridades pouco confiáveis, a trilha sonora do John Williams, a megalomania com efeitos especiais etc. Está tudo lá, mas ainda assim Contatos Imediatos parece deixar algo a desejar, algo no ar.

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Talvez seja um problema moral com o terceiro ato, quando Neary (Richard Dreyfuss) dá uma beijoca na loirinha sem expressão (sério, que atriz horrorosa!!! Sofia Coppola manda melhor que ela…), ignora toda a sua família e decide que seu lugar é ao lado dos alienígenas espaciais fãs de música. Tudo bem que o filme não é exatamente sobre esses “contatos imediatos de terceiro grau”, e sim sobre um homem que tenta se encontrar no mundo, mas ainda assim é condenável. Neary é um protagonista egoísta e incapaz de pensar em algo que não seja o seu próprio umbigo. Se eu fosse um dos três filhos, aguardaria ansiosamente pelo retorno do velho só para encher a fuça dele de porrada.

A trilha sonora de John Williams pode não ser tão marcante quanto na parceria anterior com Spielberg, só que desta vez a música é elemento fundamental da obra. O roteiro acerta em cheio ao transformar a melodia em mais do que uma música. Ela se torna meio de comunicação e mostra que é uma coisa tão incrível que serve até para se comunicar com aliens barrigudos. Com apenas cinco notas, John Williams é o verdadeiro responsável por tornar Contatos Imediatos de Terceiro Grau um bom filme. Se não fosse a importância musical, seria apenas um produto supervalorizado com a assinatura de um gênio da sétima arte.

É possível supor que alguns dos momentos de tensão, como os eletrodomésticos funcionando sozinhos pela casa, tenha servido de inspiração para o horror Poltergeist, lançado em 1982 e que têm diversas cenas com espíritos atormentando uma família. Não por coincidência, Spielberg é o produtor do filme. Esse é só um suposto exemplo do quanto Contatos Imediatos de Terceiro Grau influenciou os filmes do gênero e entrou para o imaginário das pessoas. Ou você é capaz de encarar um purê de batata sem lembrar das esculturas malucas de Neary? Independente de seus problemas, é uma daquelas obras que os fãs de sci-fi não podem deixar de conhecer.

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Nota:[tres]

 

 

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.