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Crítica: Aniquilação

Misturando conceitos físicos e biológicos, Alex Garland busca uma nova atmosfera para o gênero Sci-Fi

Aniquilação, significado:
fís.quânt colisão entre uma partícula e sua antipartícula, cujo resultado é a conversão destas em radiação ou em outras partículas; aniquilamento, desmaterialização.

Depois de uma impressionante estreia na direção com Ex Machina, era natural que a expectativa em torno do segundo filme de Alex Garland fosse grande.

Baseado no primeiro livro da trilogia Comando Sul, Aniquilação conta a história de Lena (Natalie Portman), bióloga que se junta a um grupo de mulheres formado por uma psicóloga (Jennifer Jason Leigh), uma paramédica (Gina Rodriguez), uma física (Tessa Thompson) e uma antropóloga (Tuva Novotny), para a expedição na misteriosa e sigilosa Área X.

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Quanto menos você souber desse filme melhor, um dos grandes baratos é justamente descobrir as coisas junto com os personagens, pelo menos foi isso o que aconteceu comigo, compartilhei o medo e o fascínio das descobertas do começo ao fim.

Assim como outros filmes de ficção cientifica, Aniquilação investe no mistério de diferentes formas de vida no universo, e é extremamente bem-sucedido por três razões: 1 – Tem atmosfera. 2 – Todas as questões abordadas são interessantes e existe uma filosofia profunda por trás delas (e para mim isso já seria suficiente). 3 – Tem uma conclusão satisfatória mesmo para aqueles que sentem falta de respostas ou finais com climax.

As questões físicas e biológicas abordadas são tão interessantes que preciso comentar sobre elas, e isso pode ser considerado um SPOILER.

Por mais absurdo que sejam os acontecimentos no filme, muito do conteúdo pode ser inspirado em transformações que já ocorrem no universo que conhecemos. Pense em um corpo humano por exemplo, depois de morto, caso esteja enterrado, aos poucos a pele se desintegrará e passará a fazer parte da terra, ou seja, parte da natureza.

E isso está totalmente ligado a filosofia metafórica do roteiro, em um diálogo que Lena tem com seu marido Kane (Oscar Isaac, cada vez melhor), ele diz que Deus não comete erros e isso é fundamental para ser um Deus por definição, mas ela considera que a morte seja uma falha genética, porém, se considerarmos que nosso corpo se tornará parte da natureza, isso seria um tipo de imortalidade, então seguindo este conceito, Deus não “errou”.

Mas então Aniquilação é um filme perfeito?

Não, tecnicamente ele não é impecável, e com isso não estou dizendo que esteticamente seja ruim, pelo contrário, apenas acho que os efeitos especiais e a fotografia poderiam ser melhores, acredito que um diretor como Denis Villeneuve (A Chegada e Blade Runner 2049) faria um trabalho mais sofisticado nesse sentido, mas não me entendam mal, eu adorei o filme, ele consegue ser cinema e fazer pensar ao mesmo tempo.

Agora que passou a temporada de premiações, acho que já temos o primeiro grande filme do ano.

 

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