Crítica: A Bela e a Fera (2017) | Cinema de Buteco
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Crítica: A Bela e a Fera (2017)

 

É necessário reconhecer a coragem da Disney ao realizar a versão live-action de um desenho clássico de 26 anos atrás (fora outras adaptações) criado a partir de uma história escrita no século XVIII, onde um príncipe é transformado em uma fera e só poderá voltar à sua aparência humana se for amado pelo que é por dentro. Coragem porque o público está mais atento do que nunca às “falhas” de cunho social em histórias de diversos segmentos, ainda mais por vivermos em uma época como grandes protagonistas mulheres de desenhos da Disney como Frozen: Uma Aventura Congelante, Valente e Moana.

Sendo assim, os desafios da Disney com A Bela e a Fera eram cativar o público fã da animação de 1991 e também àqueles mais jovens que não estão familiarizados com o desenho, além mostrar uma Bela que desafia estereótipos da realidade em que vive e não se deixa abalar pela visão limitada dos outros moradores do vilarejo. Mas isso não é tudo, afinal o filme também precisava ter muita magia e encantar.

Bom, podemos dizer que os objetivos foram alcançados com sucesso. A Bela e a Fera de Bill Condon (responsável também por Dreamgirls: Em Busca de um Sonho) consegue executar muito bem suas “tarefas”. Emma Watson no papel de Bela encanta até mesmo quem não é fã da saga Harry Potter e mostra (mais uma vez) que, entre o trio principal da história do bruxo, é quem tem mais relevância na profissão.

Além disso, Bela se mostra ainda mais inteligente e disposta a mostrar a todos que a mulher pode ser o que ela quiser. Em uma comunidade onde as garotas não têm nem o direito de aprender a ler e escrever, ela não se permite ser dominada e tem a ousadia de usar suas próprias invenções e de recusar uma proposta de casamento sem tentativas de elevar o ego do pretendente. Entretanto, isso não basta para a jovem que sonha com um mundo onde ela possa ser levada a sério por sua inteligência.

Um dos fatores favoráveis a esta nova adaptação é o realismo presente no filme. A reação de Maurice ao ver que os objetos do castelo possuem vida própria é de surpresa e espanto. Da mesma maneira, o tão comentado personagem gay, LeFou (muito bem interpretado por Josh Gad), tem seu perfil perfeitamente inserido na história, deixando em evidência a sua admiração e seu sentimento por Gaston (Luke Evans), mas se mostrando também uma pessoa sensata, justa e capaz de argumentar contra o bruto caçador. Sua sexualidade é tratada de maneira natural e delicada, sem se transformar em grande atração do vilarejo.

Outro ponto a ser considerado é justamente a relação entre Bela e Fera (Dan Stevens). Com a convivência da garota no castelo, eles se tornam mais próximos e cúmplices e, aos poucos, abandonam a relação de vítima e algoz. Um passa a apreciar a companhia do outro, o que torna o desenrolar da história mais verossímil.

Os números musicais mostram o talento do elenco poderoso e torna o filme ainda mais divertido. O alinhamento com todos os envolvidos se mostra essencial e presente. Dá vontade de participar de toda a alegria na música e na dança.

O figurino e a direção de arte são competentes e nos ajudam a mergulhar de cabeça no universo do filme.

Como se não bastasse todas estas qualidades, a parte do elenco que se esconde nos objetos do castelo faz um excelente papel ao dar a entonação certa aos sentimentos dos personagens.

Por fim, A Bela e a Fera tem tudo para continuar conquistando novos espectadores e deixa claro que o clássico ainda é apaixonante.

 

Graciela Paciência

Graciela Paciência nasceu e cresceu em São Paulo. Por muito tempo acreditou que seu futuro estivesse na direção de videoclipes, mas agora prefere gastar seu tempo livre no cinema, em frente à TV ou na companhia de um bom livro. Gosta de Stephen King, clássicos e cinema europeu. Suas metas de consumo estão (quase) sempre atrasadas, mas o importante é seguir em frente.