Crítica: They Came Together | Cinema de Buteco
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Crítica: They Came Together

NÃO ACONTECE SEMPRE, MAS ACONTECE: o casting tem uma ideia brilhante que vira realidade e coloca nas telas o par perfeito para uma comédia romântica. Não é uma ciência exata – tanto que pares improváveis como Meg Ryan e Billy Crystal acabam dando certo, e o casamento óbvio entre Tina Fey e Steve Carrell não é tão inesquecível quanto se imaginava. Mas eis que as mentes por trás de They came together juntaram duas das pessoas mais adoráveis do mundo, Amy Poehler e Paul Rudd, e nada poderia dar errado.

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Mas dá, porque essa é uma comédia romântica às avessas. É a história de como Joel e Molly se conheceram, se odiaram e depois se amaram. Na mesa de um jantar com um casal de amigos, eles contam como aconteceu esse encontro digno de um filme água com açúcar. Alternando entre o bate-papo e as cenas em flashback, o filme pega emprestados alguns elementos dos mais memoráveis representantes do gênero para recriar situações clichês, diálogos sem saída e até o estilo casual, as cores mais abertas e a fotografia das histórias românticas.

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Tudo em nome da brincadeira, claro. E embora o filme consiga arrancar algumas risadas de quem assiste com situações que beiram o absurdo e diálogos que brincam com expressões ao pé da letra, They came together acaba se perdendo entre tantas referências e não chega a ser o filme tão legal quanto poderia ser. Na vontade de querer fazer graça com o conceito da comédia romântica e levar a um outro nível muitas das situações presentes nesse tipo de filme, o longa escrito e dirigido por David Wain se mostra bem intencionado, mas acaba por perder o fio da meada e não consegue impressionar na sua reta final.

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Não que isso prejudique tanto a experiência. O maior trunfo de They came togther é que o filme se propôs a tentar uma abordagem diferente a uma história romântica, o que já conta muitos pontos no mundo das comédias açucaradas e com personagens mal construídos. Isso dificilmente seria um problema para Amy Poehler e Paul Rudd, dois dos melhores atores de sua geração revelados na comédia e que já haviam comprovado sua afinidade em O ex-namorado da minha mulher, Monstros vs. Alienígenas, Mais um verão americano e, mais recentemente, em Tudo por um furo, e na série Parks & Recreation, uma das sitcoms mais interessantes da TV atualmente e estrelada por Poehler. Ela puxa um elenco mais do que familiar para os fãs de séries, contracenando ao lado de Colbie Smulders (de How I Met Your Mother e Marvel Agents of S.H.I.E.L.D), Christopher Meloni (de Law & Order: SVU, True Blood, Veep e Surviving Jack), Bill Hader (de Saturday Night Live), Melanie Lynskey (de Two and a Half Men), Jack McBrayer (de 30 Rock) e Kenan Thompson (sim, de Kenan e Kel).

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Se não é a anti-comédia romântica perfeita, They came together quase chega lá durante boa parte da projeção por nos fazer jogar pela janela a suspensão de descrença que nos leva a pensar “isso nunca aconteceria” durante uma dessas histórias de amor e abraçar o non-sense e o caráter inexplicável que a vida a dois pode virar. E isso, basta ter passado por algum tipo de relacionamento amoroso, para compreender.

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Nathália Pandeló

Jornalista, diretora de conteúdo na Build Up Media e amante de música, cinema, literatura e TV.