Crítica: Cold in July, de Jim Mickle
Críticas de filmes Thriller

Crítica: Cold in July

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Crítica: Cold in July – Jim Mickle foge do universo sobrenatural para colocar Michael C. Hall como um pai de família oitentista no meio de uma perigosa trama em que nada é o que aparenta

O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: a crítica a seguir possui spoilers (informações sobre o que acontece na história) e deverá ser apreciada com moderação.

critica-cold-in-july-cinema-de-buteco-600x316 Crítica: Cold in July

O THRILLER COLD IN JULY COMEÇA apresentando a casa do casal vivido por Michael C. Hall (mais conhecido como Dexter) e Vinessa Shaw sendo invadida por um criminoso. Richard (Hall) mata o invasor e se torna “herói” na cidade, mas logo começa a se sentir pressionado pela própria consciência pela “legítima defesa”. O que ele não esperava era dar de cara com o pai da vítima (Sam Shepard, de Mud) e entrar numa história perigosa e cheia de reviravoltas.

Pois bem. Com essa breve sinopse, você poderia dizer que já viu esse filme antes. Só que a última coisa que podemos dizer sobre Cold in July, é que se trata de uma obra previsível. Com direção de Jim Mickle, que em breve aparecerá aqui no Cinema de Buteco na crítica de Stake Land (um dos filmes de vampiros mais legais dos últimos cinco anos), o thriller investe pesado numa atmosfera oitentista e num roteiro recheado de reviravoltas para nos deixar inquietos e incapazes de decifrar o que está realmente acontecendo em cena.

Essas metamorfoses pelas quais o roteiro vai passando são o ponto mais alto de Cold in July. A partir da primeira impressão do personagem de Hall, o espectador mais calejado provavelmente se lembrará de William H. Macy em Fargo, mas não demora muito para descobrirmos que o humor não é algo presente na narrativa – exceto pelo lado involuntário da coisa, afinal é impossível não rir do mullet bizarro que colocaram no protagonista. Por outro lado, ficou tão bem feito que até nos esquecemos que o longa-metragem foi produzido em 2014. Após a introdução do agressivo Russell (Shepard), Cold in July passa a lembrar aqueles clássicos do cinema de vingança, como Cabo do Medo, de Martin Scorsese. O desenvolvimento da trama nos faz perceber que o roteiro vai além disso, e a adição genial de Jim Bob (Don Johnson) transforma Cold in July num tipo de faroeste no qual os “heróis” descobrem uma verdade bem pior daquela que imaginaram. Para os cinéfilos que apreciam guinadas no roteiro, podemos ainda indicar O Lugar Onde Tudo Termina e o recente Garota Exemplar, de David Fincher.

Outro detalhe marcante do longa-metragem está na escolha da trilha sonora, que não apenas fortalece o clima oitentista da obra, quanto nos remete diretamente aos clássicos de John Carpenter. Para quem não sabe, o cineasta é considerado um verdadeiro mestre do terror (Halloween e O Enigma de Outro Mundo, para citar só dois filmes) e também criava suas próprias trilhas sonoras recheadas de efeitos de sintetizadores para dar aquele clima bem brega, mas estranhamente envolvente. Aliás, podemos apontar Carpenter como uma influência pesada na maneira de Mickle filmar e estabelecer suas sequências de tensão e as pistas para o público: como na parte em que Russell invade a casa de Richard e a câmera filma o closet diversas vezes.

Cold in July é um thriller com ritmo lento, mas que graças ao roteiro genial e elenco brilhante consegue prender a atenção do espectador. Para fãs de filmes que trabalham com investigações e revelações surpreendentes, é provavelmente um título imperdível e que fatalmente entrará em listas de melhores filmes do ano. Destaque para o belo trabalho do trio de atores masculinos, especialmente Johnson, e para a direção eficiente de Jim Mickle.

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[tresemeia]

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.