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Crítica de The Levelling (2016)

O Cinema de Buteco adverte: a crítica de The Levelling possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

poster critica the levellingHOPE DICKINSON LEACH. Guardem bem esse nome. Vencedora de diversos prêmios por seus curtas, a cineasta estreia no mundo dos longas-metragem com o drama rural sensível e emocionante The Levelling, uma narrativa pesada sobre o peso de nossas escolhas e as dificuldades que encontramos para nos relacionar com nossa família.

Ellie Kendrick (fãs de Game of Thrones a reconhecerão como Meera Reed) interpreta Clover Catto, uma jovem estudante de veterinária prestes a se formar e que se vê obrigada a voltar para a fazenda da sua família. Um acidente deixou a casa inabitável e o seguro não cobriu os danos, e para piorar Clover precisa lidar com a inesperada morte do irmão Harry, que pode ter sido tanto um acidente idiota com uma espingarda quanto um suicídio.

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Com uma narrativa extremamente bem conduzida, Leach arrasta seu público para uma viagem pesada cheia de conflitos e traumas familiares. A diretora, que também escreveu o roteiro, fala naturalmente sobre cicatrizes que consomem a alma dos personagens, incapazes de conseguirem se unir num momento de tristeza completa. Clover tenta ajudar o pai a cuidar da fazenda, mas precisa de um enorme esforço para ser notada por ele.
O velho Aubrey (David Troughton) é duro na queda. Ele reluta em acreditar na morte do filho e insiste que tudo foi um acidente infeliz, ao mesmo tempo em que finge não notar que sua filha está ali tentando ajuda-lo. O que o público vai descobrindo lentamente, graças ao belo trabalho da diretora, é que Aubrey possui um grande ressentimento pela filha ter saído de casa no passado e não consegue deixar o seu orgulho de lado, como se ele não precisasse ou quisesse a presença de Clover na fazenda.

Um dos grandes acertos de Leach é focar seus esforços em apenas três personagens, mas sempre priorizando o desenvolvimento da relação de Clover e seu pai. A terceira parte a receber atenção é um jovem loirinho chamado James, que era amigo do falecido Harry. James aparece pouco, mas é o suficiente para nos convencer de que sabe mais do que está dizendo. Sobra para Clover juntar as peças e entender exatamente como é a vida na fazenda.

Existem duas sequências que dizem muito sobre The Levelling: a primeira, durante um almoço, Clover se revela como uma vegetariana e se recusa a comer um prato. Aubrey começa a fazer aquelas tradicionais piadas sem graça que vegetarianos são obrigados a ouvir diariamente para irritar a filha, que acaba cedendo e comendo um pouco da batata previamente preparada com carne. Momentos depois, o pai a pressiona para abater um pequeno bezerro que acabou de nascer. Leach prefere afastar a câmera e não ser explícita, deixando para o público apenas ouvir o barulho da arma e depois ver Clover saindo de dentro de um depósito com um semblante triste e se escorando nas paredes.

A segunda parte especial de The Levelling mostra a forma como Clover se permite chorar a morte do irmão. Enquanto está passeando com o seu cachorro pela fazenda, ela escuta um barulho que indica que o bicho caiu dentro de um pequeno pântano. Desesperada com a possibilidade do animal morrer afogada, ela entra dentro da água para tentar resgatá-lo. Felizmente, nada de mal acontece com o cachorrinho, mas é o suficiente para que Clover encolha todo o corpo e comece a chorar.

Presença garantida em nossas listas de melhores filmes de drama de 2017, The Levelling marca a estreia de uma promissora diretora. Trabalhar com traumas familiares e relações complicadas é um tema comum no cinema, mas justamente por ser um tema tão comum a todos nós é sempre bom quando somos presenteados com uma obra sensível que consegue transmitir tantas mensagens sem precisar apelar para trilhas sonoras forçadas para arrancar nossas lágrimas. Belo filme, bela estreia.

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