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É O Fim

e o fim emma watson

HUMOR É UMA COISA EXTREMAMENTE SUBJETIVA. O que é hilário para um, pode ser idiota para outros ou completamente imoral para alguns. Dito isso, afirmo que É O Fim foi a comédia responsável por me fazer rir tanto, mas tanto que as lágrimas escorreram e caíram na minha long neck de Budweiser. Todas as piadas funcionaram perfeitamente, e eu ria como uma criança, enquanto era observado com reprovação pela namorada, que, além de não ter rido, achou a comédia dirigida por Seth Rogen e Evan Goldberg totalmente imbecil. E ainda me chamou de “bobo”. Sim, ela usou essa palavra. E ignorou completamente que estava diante do melhor filme sobre o apocalipse de todos os tempos da última semana.

Jay Baruchel vai passar uns dias com o amigo Seth Rogen, e eles decidem ir numa festa na casa do James Franco. O que eles não esperavam é que ficariam tão chapados que nem perceberam que havia chegado o dia do juízo final, com vários dos convidados morrendo cruelmente. Presos dentro da casa, e com um medo terrível de morrerem, Franco, Rogen, Baruchel, Jonah Hill, Danny McBride e Craig Robinson precisam provar que são pessoas boas para garantirem um lugar no paraíso e escaparem do fogo do inferno que se tornou a vida no plano terrestre.

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isso é o fim

O conhecimento prévio dos atores-personagens é essencial para a total compreensão da maioria das piadas do roteiro de Rogen. Isso acaba sendo um dos problemas técnicos da obra, pois uma comédia precisa funcionar para qualquer público, independente dele conhecer ou não os temas abordados. É a mesma história de quem reclama depois de ler uma crítica negativa de alguma adaptação literária para o cinema e diz que o autor do artigo precisava ter lido o livro para entender. Não. Ele não precisa conhecer o original para gostar/entender o filme. São mídias diferentes e o longa-metragem precisa ter consciência disso. No entanto, parece que Rogen e companhia não esquentaram muito a cabeça com isso, afinal de contas é uma verdadeira festa de amigos e espera-se que os convidados (ou seja, os espectadores) conheçam os anfitriões.

Um pouco de conhecimento em cinema também é fundamental para captar as referências. Para evitar estragar as piadas, deixarei apenas as recomendações mais importantes para maior apreciação: O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski (é a minha cena favorita, diga-se de passagem); Segurando as Pontas, de David Gordon Green; Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick; Menina de Ouro, de Clint Eastwood; e O Exterminador do Futuro 2, de James Cameron. O roteiro de É O Fim brinca, às vezes sutilmente e outras bem explicitamente, com cada uma das obras citadas e esse é um dos maiores trunfos do filme.

é o fim

Existem problemas na parte da direção do estreante Rogen, que funciona muito melhor como roteirista ou como ator secundário. Talvez nas mãos de um cineasta com um faro mais apurado para a direção, o filme poderia ser mais do que um encontro de comediantes brincando de filmar um monte de piadas. O clima “amador” em nada prejudicou o meu divertimento, tanto que ri praticamente o filme inteiro. Como se trata de uma comédia, não importa como ela é feita, desde que consiga divertir o espectador do princípio ao fim.

O encerramento original acabou sendo refilmado para saciar a vontade dos espectadores de saber “como seria o céu.” A versão original incluía uma cena dos personagens fumando maconha com o (único e verdadeiro) Rei Elvis Presley e dançando com Marilyn Monroe. Com certeza seria uma cena hilária, mas a opção de gravar um material novo foi acertada e complementa uma das cenas musicais presentes ao longo da trama. E para uma obra que faz tantas “homenagens” e referências, o público que cresceu consumindo a música dos anos 1990 agradece.

é o fim 2

A última vez que ri assim foi assistindo a Tucker e Dale Contra o Mal, uma produção completamente non sense que entrou no topo da nossa lista de melhores comédias de 2012. Ao lado de Família do Bagulho, não há a menor dúvida de que É O Fim é um dos destaques da temporada no gênero. Independente de optar por assistir no cinema ou acompanhado dos amigos numa noite de sexta-feira chuvosa (se a luz não acabar, claro), esse é um daqueles stoner movies imperdíveis para os nerds de plantão – na verdade, é o melhor stoner movie já produzido (supondo que os responsáveis tenham ficado muito loucos no processo). Mas não se esqueça: se você não possuir os pré-requisitos necessários para entender É O Fim (saber quem são os atores envolvidos e seus trabalhos no cinema; ter visto boa parte dos clássicos da sétima arte; e estar meio bêbado – muito importante!) existe uma grande chance de você detestar o filme e vir aqui me chamar de “bobo”.

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Nota:[quatroemeia]

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