Crítica: Em Um Pátio de Paris, de Pierre Salvadori
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Crítica: Em Um Pátio de Paris

Crítica: Em Um Pátio de Paris, de Pierre Salvadori

dans-la-cour-catherine-deneuve-gustave-kervern-715x600 Crítica: Em Um Pátio de Paris
Catherine Deneuve é divina, um dos nomes mais importantes da história do cinema francês. Portanto, é sempre um enorme prazer vê-la na telona ou onde quer que seja. Isso não muda em Em Um Pátio de Paris (Dans La Cour, França, 2014), drama mal desenvolvido, mas que, com leves toques de humor e performances de qualidade, não deixa de ser um bom atrativo aos espectadores.

Ambientado na capital francesa, o filme de Pierre Salvadori acompanha a vida de um círculo específico de pessoas que enfrentam problemas sérios na vida, com destaque para Mathilde (Deneuve) e Antoine (Gustave Kervern). Ela é uma recém aposentada e ele um músico cansado de fazer shows, o qual resolve buscar um emprego fixo, encontrando uma vaga de zelador em no prédio em que ela mora. Ambos têm em comum o fato de estarem deprimidos com suas vidas e acabam formando um forte laço de amizade.

Além dos dois, temos no roteiro uma série de papéis coadjuvantes, mas que não deixam de ser importantes no cotidiano deles, entre eles o marido de Mathilde, Serge (Féodor Atkine), os vizinhos Stéphane (Pio Marmaï) e Laurent (Nicolas Bouchaud), e Lev (Oleg Kupchik). Cada um tem sua influência no enredo e contribui para o que vemos acontecer no decorrer do tempo, inclusive o final.

dans-la-cour-catherine-deneuve-gustave-kervern-715x600 Crítica: Em Um Pátio de ParisA história é bem gostosa de assistir, uma vez que temos aqui vidas bastantes próximas das nossas; pessoas comuns, como eu e você, as quais obviamente enfrentam dificuldades e momentos sombrios. No caso dos protagonistas, enquanto Mathilde resolve implicar com uma rachadura na parede de sua sala, Antoine busca na cerveja e drogas uma maneira de fazer passar o tempo. Mesmo sendo indivíduos muito complicados, é fácil se identificar com eles e as cenas que compartilham. Em uma delas, vemos o homem lavar o pátio e desperdiçar água, levando Mathilde a jogar uma pêra para atingi-lo. Pouco tempo depois, ela vê o machucado feito e morre de remorso, mas jamais revela que ela foi a responsável por aquele ato. Em outra, o zelador acompanha a mulher em uma visita à sua antiga casa e ela tem um colapso ao ver tudo diferente.

Enfim, temos momentos extremamente dramáticos e hilários com os dois e tanto Deneuve quanto Kervern interpretam bem seus personagens, com uma ótima química. Você acaba simpatizando com os dois em função de suas falhas e qualidades e a comoção é garantida; nossa atenção é garantida por causa disso. Stéphane também chama a atenção com sua história de vida e linhas recheadas de humor.

O problema de Dans La Cour é a falta de exploração de Antoine. Ok, sabemos que ele era um músico deprimido e alcoólatra, mas não temos nenhuma informação sobre o seu background; nem em diálogos. A única cena na qual que ele menciona – e brevemente! – sua família é cortada ao meio, deixando aquele enorme vazio. Uma mulher de seu passado também chega a aparecer na telona, mas jamais temos a informação sobre quem ela foi, ou seja, como é que um roteiro deixa de aprofundar no protagonista? Ainda mais quando Mathilde foi bem trabalhada, assim como o coadjuvante Stéphane. É como se não entendêssemos bem o porquê das atitudes do homem, ele fica incompreensível e isso prejudica nossa identificação.

A maneira como o enredo é desenvolvido é outra coisa que deixa a desejar, pois chega uma hora em que fica repetitivo ver a rotina do protagonista. Mathilde até que tem algumas aventuras interessantes e Deneuve brilha o tempo todo, mas Antoine enche o saco em determinado momento, já que nada muda, ele continua o mesmo; suas emoções são sempre as mesmas, fica monótono demais vê-lo, faltou algo a mais ali, algum diálogo mais profundo, algum desabafo, não sei.

Em um Pátio de Paris tem seus defeitos e uma hora a história pode ficar cansativa aos nossos olhos, sem contar a falta de atenção do roteiro ao zelador. No entanto, não deixa de ser um conto emocionante e, sobretudo, humano e real. Ademais, o tom de humor dado por Salvadori ajuda a nos envolver com o filme, até mesmo no fim. Conclusão?Você não se impressiona com o resultado que assiste, mas não perde o seu tempo.

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.