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Crítica: Entre Abelhas

Entre Abelhas

ESTAMOS ACOSTUMADOS A VER FABIO PORCHAT apenas como uma figura engraçada que participa do Porta dos Fundos, um verdadeiro fenômeno do Youtube. Em Entre Abelhas, como não podia deixar de ser, existe muito de humor na narrativa, mas se trata realmente de um romance sobre superar o fim de uma relação.

Porchat, que além de protagonizar também assina o roteiro, interpreta um homem que terminou recentemente um casamento e vai morar com a mãe. Não demora muito e ele passa a enxergar cada vez menos pessoas ao seu redor, o que acaba fazendo com que ele aprenda muito sobre sua vida.

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Apesar de usar o humor (com uma sessão de piadas realmente divertidas e no nível do Porta dos Fundos) como força principal, Entre Abelhas possui uma grande carga emocional muito bem representada na atuação de Porchat. Tudo bem que ele não consegue fugir muito daquilo que o público já conhece e acompanha, mas funciona. O difícil é apostar que o espectador com o cérebro derretido por novelas e produções medíocres seja capaz de absorver a mensagem da obra ou apreciar um lado ainda mais talentoso do ator.

Nem tudo é perfeito, infelizmente. Na sua pretensão de ser arrojado com tantas metáforas para as amarguras da vida, a narrativa oferecendo uma conclusão precipitada em que o espectador acaba se perguntando: “ué, acabou?” com justiça. Há uma breve preparação para o final revelado, mas é angustiante para todos aqueles que gostam de entender os motivos que determinam as ações dos personagens ter um baque daqueles. Seria uma tentativa de provar nossos preconceitos em relação aos sentimentos do próximo ou apenas um choque intencional em que os produtores querem provar que mais vale as etapas percorridas pelo protagonista do que seu prêmio no final? Seja qual for o efeito desejado, o fato é que faz o público se forçar a pensar para buscar suas próprias interpretações sobre o que viu.

Entre Abelhas usa o fim de uma relação ruim para mostrar que todo o mundo ao redor do protagonista é desinteressante, e que ele próprio, afogado em sua depressão, acaba contribuindo para que cada uma das pessoas mais próximas perca o seu valor e desapareça. E mesmo com um final – supostamente confuso – existe a surpresa dele perceber que pode encontrar a fuga da sua solidão de maneiras mais improváveis e que querer que todos “desapareçam” está longe de ser uma solução. Curioso observar que o personagem de Porchat acredita que a culpa de tudo estaria no fato dele não ter comprado uma cadeira vermelha idiota. É um sintoma bem explícito da tristeza e fraqueza emocional do nosso herói, que incapaz de aceitar seus próprios problemas em relação às outras pessoas, culpa um objeto qualquer pelo fracasso da relação.

Se tratando de cinema nacional de humor, Entre Abelhas merece todo um reconhecimento especial pela coragem e eficiência de trabalhar drama e humor juntos. Como não bastasse a sua mensagem e o excelente trabalho do elenco de coadjuvantes (especialmente a veterana Irene Ravache, na pele da mãe do protagonista; e Luis Lobianco, como o atendente que é contratado para ajudar a resolver o problema da invisibilidade súbita das pessoas), ainda nos surpreende com uma bela atuação de Porchat.

Poster Entre Abelhas

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