Filme: Evereste

Evereste crítica 2015

Fatos inspirarem filmes não é novidade alguma, especialmente tragédias: guerras, Titanic, assaltos e por aí vai. Agora, chegou a vez do monte Evereste ser tema de uma superprodução, no eletrizante Evereste (Everest, 2015), de Baltasar Kormákur. A adaptação é mais um documentário ou um longa feito para TV sobre o desastre de 1996 do que um filme em si, mas consegue comover em alguns momentos.

Há quem dizia que Evereste seria o Gravidade de 2015, mas não é muito bem isso. Talvez em termos técnicos, como fotografia e efeitos especiais, eles sejam parecidos; só. A obra sobre a tragédia que matou oito pessoas há 19 anos tenta documentar o que aconteceu naqueles 10 e 11 de maio de 1996, além de cenas antes e depois do evento. O roteiro explora em profundidade as histórias do guia Rob Hall (Jason Clarke) e o cliente Beck Weathers (Josh Brolin), sendo os demais personagens coadjuvantes. Não deixam de ser interessantes, deixo claro, mas o foco é bem maior nos dois.

Hall é um futuro pai, o qual planeja voltar da aventura a tempo de ver a esposa (Keira Knightley) dar à luz, enquanto o outro tem família no Texas, mas prefere passar o tempo fora de casa, especialmente escalando montanhas. O enredo dá bastante atenção a ambos, seja nas suas dificuldades durante a escalada, seja nas relações com os parentes. Abordagem que é peça chave para o espectador se identificar de alguma forma com aquilo e se comover com o destino de cada um deles. Destaco os diálogos de Hall com Jan, a qual, mesmo com pouco tempo na telona, consegue nos fazer chorar graças à belíssima atuação de Knightley. O papel de Emily Watson é pequeno, mas um dos mais emocionantes, uma vez que ela é uma antiga colega de trabalho e amiga de Hall e segue de perto todo o sofrimento à sua volta.

Doug Hansey (John Hawkes) é um outro personagem interessante da história, assim como Andy Harris (Jake Gyllenhaal), mas ambos são mais negligenciados no enredo, então apenas deixam uma curiosidade sobre quem realmente foram. O primeiro até que teve uma exploração melhor no decorrer do filme, principalmente na cena em que revela o porquê de estar ali (algo que nos emociona bastante quando vemos o desfecho que ele tem), mas isso não foi tão bem aprofundado. Gyllenhaal interpreta bem seu papel e traz certa alegria devido à personalidade brincalhona de Harris, só que ficou muito superficial.

Um ponto que Evereste não chega a discutir tanto, mas que acaba nos fazendo refletir, é a questão sobre as excursões ao local. Diversas pessoas pagam milhares de dólares para chegar ao topo da montanha todos os anos e muitas delas não são alpinistas. Será que isso é certo mesmo? Ou, vale a pena arriscar a vida para escalar a tão famosa montanha ou qualquer outra que exista no mundo? E sem preparo algum, como é o caso de vários indivíduos ali? Chega a ser bastante triste e traumatizante ver os aventureiros se depararem com diversos corpos de pessoas mortas no decorrer da jornada, ainda mais porque isso acontece na vida real.

O ambiente realístico criado por Kormákur é congelante. Sentimos junto dos personagens as baixíssimas temperaturas, os perigos e os seus medos, aflições e saudades de casa; a falta de ar constante, os delírios e dor estão conosco o tempo todo. É por causa disso que o longa acaba parecendo um documentário no fim das contas. A narrativa com dias e horários e o roteiro extremamente fiel ao fato real nos fazem parecer que estamos vendo um filme da Discovery Channel sobre o desastre de 1996.

Não que isso seja ruim, Evereste é muito bem feito e tem um grande elenco. O problema é que você espera de um longa um resultado mais, digamos, cinematográfico. Aqui, encontramos um roteiro fiel e detalhado, mas cujo foco é o fato em si e não os personagens que fazem parte dele. Isso pode afastar-nos um pouco do resultado final.

Assista ao trailer:

Assista ao nosso videocast sobre o filme:

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.