Crítica: Gabriel e a Montanha (2017)

Que vontade de tirar um ano sabático e desbravar o mundo! Esse é o sentimento que fica ao fim de Gabriel e a Montanha (Brasil, 2017). Mais do que um relato sobre o que aconteceu com Gabriel Buchmann nos últimos dois meses que precederam a sua morte, o filme de Fellipe Gamarano Barbosa (diretor do excelente Casa Grande) é um convite para refletir sobre a vida e como lidamos com as pessoas e lugares ao nosso redor.

O que é viver? Será que fazemos a diferença no planeta? Se não, poderíamos fazer mais pelas pessoas? No decorrer do longa, a única coisa que passava na minha cabeça era como eu deixei vários anos passarem sem os aproveitar da melhor maneira possível. Faculdade corrida, trabalho e mais trabalho, oportunidades de intercâmbio que deixei passar. Enfim, coisas que fazem parte da nossa trajetória, mas que não podem nos deixar de enxergar o mundo que existe lá fora. Estudo e trabalho são essenciais, só que não são tudo.

Gabriel passou os 12 meses finais de sua vida viajando pela África, dormindo na casa de pessoas que nunca havia visto na vida, comendo da comida delas e dormindo na sala delas; às vezes até dividindo a mesma cama! Sim, é arriscado porque ele não sabia quem eram aquelas pessoas, mas a questão do filme não é essa e, sim, mostrar que podemos aprender muito mais sobre a humanidade e a vida em si quando saímos da nossa rotina, da nossa bolha, e desbravamos outros lugares. Ter a mente aberta nos abre um leque enorme de possibilidades e aprendizado.

Não precisamos fazer igual ao protagonista (um ótimo João Pedro Zappa), ainda mais porque a independência e coragem dele acabaram levando-o longe demais, infelizmente. O legal do drama de Barbosa é como o diretor nos faz pensar sobre tudo, por meio da história do jovem brasileiro. Cada detalhe, cada amizade feita, cada aventura, cada fracasso, nos leva a uma profunda reflexão sobre a sociedade e nossas ações perante os outros.

A missão dele aqui acabou aos 28 anos e ele poderia ter feito muito mais caso tivesse voltado pra casa e ido fazer Doutorado em Políticas Públicas na UCLA. Porém, não era o destino dele. O que podemos fazer é nos inspirar na sua história e tentar aproveitar a vida o máximo possível; conhecer novas culturas, pessoas e tornar nossas experiências cada vez mais ricas e transformadoras. Afinal, quanto mais explorarmos, lermos e vermos, mais conhecimento adquirimos, e uma vida sem conhecimento constante não é uma vida.

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.