Crítica: Internet – O Filme (2017)

Sendo absolutamente sincero: fui assistir Internet – O Filme com minhas expectativas baixas! Juntar uma galera que não é formada por atores (salvo algumas exceções), num roteiro de um cara que escreve pela primeira vez para o cinema (Rafinha Bastos), pode dar muito certo, ou muito errado. Felizmente estava enganado e o filme me arrancou boas risadas.

Internet – O Filme não foi pretensioso e apostou na experiência que o elenco tem em fazer humor, mesmo que seja em outra plataforma. É claro que algumas piadas passam batido, mas longe de causar aquela vergonha alheia, sabe? Divertidamente, sete histórias são contadas girando em torno de um eixo em comum: uma convenção de youtubers em um hotel!

Quase todo o elenco é formado por youtubers que vivem personagens muito próximos às suas características na vida e nos seus canais. Na corrida pela fama na convenção, vemos a história do casal por trás do cachorrinho famoso na internet, dos amigos que curtem zoar um o outro custe o que custar, o cara que é sucesso nos games (que acaba sendo sequestrado), o casal mais shippado pela internet, o youtuber sensação que acaba se enrolando para conseguir mais seguidores além da participação de celebridades como o Raul Gil, MC Catra e até mesmo da Palmirinha.

A direção é do Filippo Capuzzi Lapietra (que também dirigiu premiados curta-metragens, como Noite Perdida e O Golpe) que soube aproveitar ao máximo o material com que trabalhou. Inspirado em comédias de sucesso no cinema, o filme tem ares dos famosos besteiróis americanos e carrega muitas referências ao universo do youtube. Filippo claramente se muniu da veia cômica e relação na vida real do elenco para trabalhar suas potências nas cenas. A edição tenta simular o trabalho dos próprios youtubers, colocando ocasionalmente na tela memes e efeitos comuns dos video, garantindo boas piadas quando provoca nossa rápida identificação com as referências. Só peca porque é “produzida” de mais, perdendo a espontaneidade do youtube, e nos deixa aquela sensação de algo estranho (que talvez seja apenas assistir tudo aquilo numa telona de cinema e não no nosso monitor).

Os youtubers contaram com preparação de elenco e, mesmo relatando dificuldades para viverem os personagens e abandonarem um pouco a própria figura pública, conseguem convencer à quem assiste as loucuras que vivem no filme. Rafinha Bastos (junto com Dani Garuti e Mirna Nogueira) consegue a difícil missão de criar um roteiro que comporta tantas histórias que, apesar de operarem em um eixo central, não tem uma conexão tão linear, sem nos deixar entediados ou perdidos na trama.

É sem dúvida um filme divertido para assistir com os amigos, despretensiosamente, principalmente se todos curtem o mundo da internet, mais especificamente, o youtube e os youtubers.

 

INTERNET – O FILME

Direção: Felippo Capuzzi Lapietra

Comédia

96 minutos

Estreia 23 de fevereiro.

Leandro Galor

Leandro Galor é apaixonado pelo teatro desde que se conhece por gente. Se formou ator, mas também dirige, produz, ensina e o que mais precisar. Só não faz café porque não toma.