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Crítica: Me Chame pelo seu Nome

 

Muitas coisas fazem de Me Chame pelo seu Nome um filme imperdível. Ele não fala apenas sobre um romance profundo entre duas pessoas. A produção discute algo que precisa ser colocado mais em pauta na sociedade: o medo de sentir as coisas.

É um pouco engraçado porque uma amiga conversou sobre isso comigo há uns dois ou três meses. Sempre fui uma pessoa com medo de expressar o que sinto por medo de não ouvir o que quero ou por vergonha de gostar ou amar alguém mesmo. Ela apenas me disse, mais ou menos desta forma: “A gente não pode ter vergonha de sentir as coisas. Tem que colocar pra fora. A resposta pode ser negativa, mas antes melhor falar do que guardar pra você mesma e se arrepender depois”. Isso é basicamente o que o personagem de Michael Stuhlbarg – merecia uma indicação ao Oscar só por essa cena fantástica! – diz ao filho Elio (Timothée Chalamet) em uma das partes principais do longa.

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São quase duas horas e meia de duração, mas que desenvolvem com calma e detalhe a história do protagonista. Elio nada mais é que um adolescente de 17 anos que começa a descobrir um lado seu que não sabia que existia até conhecer Oliver (Armie Hammer). Antes do jovem pesquisador chegar à casa da sua família no norte da Itália para passar pouco mais de um mês, o garoto saía com os amigos e tinha um romance nada muito sério com uma francesa da região. Quando o homem chega, o rapaz passa a sentir uma atração extremamente forte por ele.

Tudo isso é retratado na tela sem pressa nenhuma, permitindo que acompanhemos, junto de Elio, o seu processo de autoconhecimento. São as trocas de olhares, os vários passeios juntos, as conversas, enfim, momentos nos quais o protagonista percebe que realmente sente atração por um outro homem. Ele fica confuso e sofre bastante, é óbvio; não é fácil lidar com a situação, ainda mais em 1983. O diretor Luca Guadagnino explora isso muito bem.

Oliver, que é claramente mais bem decidido sobre sua sexualidade (ele é bissexual), nunca esconde suas intenções diante de Elio. Porém, como não sabe se o sentimento é mútuo e o adolescente o reprime no início, acaba deixando quieto por um tempo.

Me Chame pelo seu Nome é muito mais do que uma história de paixão. É um drama que analisa com destreza o descobrimento de um rapaz sobre sua sexualidade. Além disso, o enredo mostra a importância essencial da família nesse processo, pois os pais de Elio são exemplares nesse quesito. Não têm preconceito e dão apoio e atenção ao filho o tempo todo.

Como o próprio patriarca diz, apenas vivemos uma vez com nossos corpos de agora. Ou seja, seria um desperdício deixar de aproveitar a vida por medo de sentir as coisas. Simplesmente viva.

 

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