Crítica: Metal: Uma jornada pelo mundo do Heavy Metal

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Jaquetas de couro, camisas pretas, cabelos longos… esses são alguns dos aspectos que compõe a aparência de uma das tribos urbanas mais presentes no mundo todo: os metaleiros ou “headbangers”. Muitas vezes os vemos andando nas ruas, mas poucos de nós realmente conhecemos suas culturas, e tampouco suas influências sonoras ou raízes históricas. Em 2005, um antropólogo canadense chamado Sam Dunn, que também faz dessa tribo urbana, decidiu realizar um documentário que mostrasse ao mundo a faceta do Heavy Metal e de seus admiradores e representantes. Dunn se apaixonou pelo gênero musical aos 12 anos e após esse contato, tornou-se um verdadeiro fã do Heavy Metal. O documentário, de forma geral, foi muito bem recebido em todo o mundo. Sam Dunn procurou realizar uma produção que mostrasse as origens histórias desse tipo de música, a ideologia, a cultura, o efeito social, e também as controvérsias existentes ao redor desse gênero.

O criador do documentário desenvolveu seu trabalho partindo da seguinte pergunta:“por que o heavy metal até hoje é um gênero musical tão descriminado e estereotipado?” Para responder a essa questão, o antropólogo frequentou e fez filmagens em shows de bandas que tocam esse tipo de música, além de entrevistar seguidores do gênero e aclamados figuras que foram esse universo. Ronnie James Dio, vocalista das bandas Dio e Heaven And Hell, Tony Iommi, considerado como sendo um dos maiores guitarristas da história do Rock, Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, e outros grandes nomes do Metal, como Tom Araya, Dee Snider e Vince Neil são alguns dos personagens que cederam depoimentos para o produtor. Para poder relacionar esses artistas e bandas dentro de um amplo contexto, Dunn apresenta uma árvore genealógica que explora as vertentes do Heavy Metal, e assim vai desenvolvendo e organizando sua pesquisa, enquanto ele próprio narra seu roteiro que é mesclado com depoimentos desses músicos e de fãs do gênero.

Dentro dessa estrutura e em busca de respostas para e questão proposta, o filme é dividido em capítulos que dão uma pincelada por todo o tema, explorando desde os primórdios do Heavy Metal, até o preconceito que existe contra esse gênero. Dessa forma, o documentário vai tornando-se cada vez mais completo e bi-lateral, à medida que aborda de forma imparcial não apenas a qualidade e processo de criação sonora das músicas desse universo, mas também busca expor assuntos mais sombrios sobre o assunto, como, por exemplo, a linha de pensamento e ideologia de bandas de Metal que tem afinidade com o Satanismo e que, de certa forma, foram responsáveis por firmar um estereótipo já antigo que esse estilo musical e seus seguidores carregavam, de serem admirados do demônio. São discutidos também, assuntos como o machismo presente dentro do gênero, e como se deu, ao longo dos tempos, a inserção das mulheres dentro desse meio. Dunn também questiona ídolos do Metal quanto a assuntos gerais, como religião, figurino, e retoma também como uma de suas temáticas, um dos momentos mais memoráveis da história do Rock And Roll, que foi quando Snider, vocalista da banda Twisted Sister, depôs no Conselho de Pais, que foi criado pelo Senado sob comando de Tipper Gore (esposa do ex-vice presidente dos Estados Unidos, Al Gore) com finalidade de fazer diversas acusasões contra o Heavy Metal. Nessa ocasião, o músico deixou a mídia, Gore, e todo o Senado boquiabertos com a qualidade e fundamentos de seus argumentos.

Apesar de toda a qualidade da produção e da visão ampla que Dunn busca expor, é certo que talvez ele pudesse ter valorizado e examinado um pouco mais a fundo a faceta histórica do Metal, explorando mais profundamente as bandas que formam o primórdio e as raízes estilísticas desse tipo de música. Possivelmente isso fortaleceria ainda mais o trabalho do jovem antropólogo. Mesmo assim, o resultado final é incrível e apresenta ao espectador o Heavy Metal como algo apaixonante, como um mundo paralelo que está sempre de portas abertas para que qualquer um possa entrar nele. Independente de qualquer crítica por parte da sociedade ou até mesmo do Senado, o Metal e seus fiéis seguidores sobrevivem e com certeza, sobreviverão com, ou sem esse julgamento, visto que a paixão musical se sobrepõe a qualquer possível obstáculo que esse tipo de música e os headbangers venham a enfrentar.

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Juliana Vannucchi