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Crítica: Noite Sem Fim

noite sem fim

Liam Neeson já está virando sinônimo de Chuck Norris. Claro que não chega a tanto, uma vez que ele já provou ser mortal em vários filmes que estrelou, mas as coisas que faz sozinho na telona contra um monte de gente, e ainda sai vencedor, são cada vez mais comuns de assistir. Em Noite Sem Fim (Run All Night, EUA, 2015), nada disso muda: temos um filme sacado e ainda extremamente previsível. No entanto, tenho que admitir que me diverti vendo-o.

A história é bem simples: os mafiosos Jimmy (Neeson) e Shawn (Ed Harris) são amigos há décadas, mas, em uma noite, a amizade deles sofre um baque quando o perigoso filho do último, Danny (Boyd Holbrook), é morto por Jimmy. Morto porque o rapaz iria matar o filho de Jimmy, Michael (Joel Kinnaman), após encontrá-lo no lugar errado, na hora errada. A partir daí, acompanhamos uma perseguição sem fim, que envolve praticamente a polícia inteira de Nova York – em parte comprada por Shawn, em parte atrás de Jimmy há anos -, mais os capangas de Shawn, atrás de pai e filho. Ou seja, mais uma história sobre uma amizade indestrutível, até que um cutuca o ralo do outro.

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A produção já começa entregando o clímax da história: Jimmy deitado em um bosque, um tiro na barriga, morrendo, e, então, voltamos algumas horas atrás, para vermos os acontecimentos que levaram até aquele momento. A narrativa flui muito bem, com uso e abuso de efeitos visuais através de aproximações e afastamentos da câmera e sequencias de ação eletrizantes. É muito difícil piscar os olhos enquanto assiste ao longa de Jaume Collet-Serra (Sem Escalas, Desconhecido), o que torna o título bastante apropriado: como a noite é longa e os protagonistas não param para respirar nem um segundo, o mesmo acontece conosco. Garanto que entediado (a) você não vai ficar!

Algo que me chamou atenção foi como o roteiro explora bem os personagens. Eu, pelo menos, consegui me envolver com a história ali contada. Seja Shawn, que cuida de um bravo e alcoólatra Jimmy (até comida ele dá ao amigo), ou Michael, que pune o pai por ter abandonado ele e a mãe por causa de seu passado sujo, vemos ali seres humanos. Sim, eles fizeram e fazem coisas bizarras, matando indivíduos como hobby, mas o roteirista nos mostra o sofrimento deles também. Shawn vira um monstro quando descobre sobre a morte do filho, mas temos ali um pai que sente a dor e culpa de perder um filho como qualquer outro pai, especialmente um que ele não conseguiu salvar. Nessas horas, a vontade de vingança fala mais alto, mesmo sendo contra um amigo. Jimmy, por sua vez, faz também o que qualquer pai faria: proteger como pode o filho. Tal característica ajuda o espectador a se identificar com o que assiste na telona. Uma conversa em específico que Jimmy e Shawn têm em um restaurante também ajuda-nos a compreender suas atitudes.

No que diz respeito às partes sacadas, não as considero um fator negativo. Por quê? Porque é um filme do Liam Neeson. Ponto. Depois de ver títulos como Busca Implacável e Sem Escalas, você já sabe o que esperar de uma película com o britânico e Noite Sem Fim segue o ritmo. Portanto, criticar isso me parece exagerado. Sim, você assiste e pensa: “Até parece que dois homens conseguem fugir de toda a polícia de Nova York e mafiosos, sendo muitas vezes de forma inexplicável”. Mas se refletir vai concluir: “Ah, é com o Liam Nesson, óbvio que ia ser assim”.

O que considero prejudicial ao filme é sua previsibilidade. Desde o início você sabe que Jimmy vai levar um tiro fatal e, já na metade, sabe quem será o autor do mesmo. Diálogos também sugerem o desfecho visto, e em relação a todos os personagens. Por que perder tempo vendo algo que você tem conhecimento prévio de como termina? Suspense definitivamente não é um ponto forte aqui. É o único detalhe que estraga Run All Night, mas um detalhe que atrapalha muito o resultado final e tira muitos pontos da produção.

Você deve estar se perguntando: por que três caipirinhas? A meu ver, trata-se de uma nota mediana, nem ruim e nem boa; foi OK. Vemos situações irreais e acontecimentos fáceis de serem previstos, mas acompanhar isso em pouco mais de 90 minutos não deixa de ser um bom entretenimento. O conteúdo também comove, sobretudo as cenas de Jimmy com Michael e Shawn – a última com ele é sensacional -, e as perseguições intensas. Pagar para conferir mais uma sessão de aventura e drama com Neeson vale a pena.

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