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Crítica: O Jogo da Imitação

Cumberbatch sustenta a cinebiografia de Alan Turing nas costas e quem ganha é o espectador.

o jogo da imitação - keira knightley

ALAN TURING FOI UM DOS GRANDES HERÓIS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. Para receber essa honraria, sequer precisou entrar em campo de batalha: a sua contribuição envolveu a quebrar a indecifrável máquina de criptografia alemã chamada de Enigma. O seu trabalho adiantou o fim da guerra em praticamente dois anos e resultou na origem dos computadores. Ou seja, Turing não apenas deu a vitória para os aliados como também criou uma das tecnologias mais importantes do século passado. Com tantas credenciais, o cineasta norueguês Morten Tyldum teve uma grande responsabilidade na cinebiografia O Jogo de Imitação (The Imitation Game, 2014).

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Uma dúvida: seria correto classificar a obra no gênero guerra? Afinal, estamos diante a cinebiografia de um verdadeiro herói de guerra – ainda que tenha sofrido muito até ser devidamente reconhecido como tal. Independente dos rótulos, que muitos desprezam, o filme acontece todo nos bastidores da Segunda Guerra e – ao contrário do que acontece em A Teoria de Tudo – prefere focar mais nas realizações do que na vida pessoal de seu protagonista.

Se a cinebiografia do cientista Stephen Hawking acerta a mão ao dedicar sua atenção para o lado humano e pessoal do casal vivido por Eddie Redmayne e Felicity Jones, na obra dedicada para a vida de Alan Turing existe um conflito interessante entre dedicar mais espaço para os dramas pessoais do personagem (como a sua sexualidade numa época em que ser gay era considerado um crime – e eu me surpreendi com esse fato) ou para suas constantes tentativas de criar a máquina perfeita para decifrar a Enigma. O resultado final mistura muito bem os dois campos, mas depende muito da atuação fenomenal de Bennedict Cumberbatch.

o jogo da imitação

Logo na introdução, Cumberbatch convida o espectador a prestar bastante atenção. Com uma voz tão poderosa, e sedutora, nos sentimos na obrigação de obedecer ao pedido. Geralmente introduções com narração em off são entediantes, mas quando se trata de Cumberbatch é necessário abrir uma exceção e apenas sentir as breves apresentações de tudo que será apresentado ao longo do longa-metragem. Felizmente, o ator nos recompensa com uma das melhores atuações de sua carreira, que teve como consequência uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. Ainda que enfrente a concorrência pesada de Redmayne (A Teoria de Tudo) e Michael Keaton (Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância), Cumberbatch tem ao seu favor todos os seus elogiados trabalhos anteriores. Keira Knighley, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Codjuvante – mesmo sendo a única atriz do elenco -, aproveita a sua oportunidade para mostrar serviço num papel curioso. Apesar de ter importância para o desenvolvimento do filme, sua personagem custa a demonstrar seu valor. Se funciona ou não, fica ao critério do espectador. Como fã da atriz, ela tem o meu apoio.

O Jogo da Imitação depende demais do seu protagonista e isso acaba sendo um problema. Tanto para o próprio filme quanto para o ator, que apesar de ter feito a melhor atuação entre seus concorrentes ao Oscar, está numa obra inferior às demais. Para todos aqueles que admiram o trabalho de Cumberbatch e estão sempre em busca de cinebiografias eficientes sobre personalidades históricas, o longa-metragem é uma bela opção e cumpre bem a sua função sem precisar apelar para recursos técnicos que forçam o espectador a se emocionar e derramar lágrimas de crocodilo pelas dificuldades da vida de Alan Turing.

poster o jogo da imitação

O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014) de Morten Tyldum. Com Bennedict Cumberbatch, Keira Knightley

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