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Crítica: O Ladrão Do Arco-íris (1990)

O filme Ladrão de Arco-íris conta a história de Dima e do Príncipe Meleagre, marginais que vivem por entre esgotos e que buscam o mítico e sonhado pote mágico do final do arco-íris. Trata-se de uma narrativa fantasiosa dirigida por Alejandro Jodorowsky,  que teve seu lançamento em 1990.

Com uma atmosfera parcialmente onírica, comum nas obras de Jodorowsky, e uma forte presença de sentimentos humanistas, a película, entre outros aspectos, mostra o homem em busca da realização de seus desejos que tentam ser satisfeitos através da conquista do paraíso e obsessão pelo dinheiro e bens materiais.

O protagonista é um ladrão que rouba apenas por vício, na esperança de suprir seu insaciável desejo de obter sempre mais.  A Filosofia e a Psicologia já há algum tempo apontavam e até mesmo afirmavam que “o homem é um ser desejante”, e desejo é algo que, de uma forma ou de outra (seja mais explícita ou sutil) está presente em grandes partes deste filme.

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Por vezes, é fácil captar as cenas que expressam tal sentimento; por outras, tal fato está oculto em metáforas. E o desejo, em O Ladrão de Arco Íris, leva alguns personagens a beirar o devaneio, pois este é um sentimento forte, que pode facilmente cegar o ser humano, ou guiá-lo para a individual satisfação momentânea, excluindo a percepção do entorno de um indivíduo que, se perdendo dentro dessa intensa emoção, é capaz até mesmo de perder sua sanidade.

Contudo, apesar de o espectador poder extrair tal reflexão do filme e ser capaz de explorar questões acerca de mensagem e significados contidos na premissa da história, o longa, em si, é bastante cansativo.

As primeiras cenas até são capazes de reter a atenção, mas passados aproximadamente trinta minutos da trama, o espectador dificilmente consegue digerir o restante da enfadonha história dos marginais que habitam esgotos e que sonham com fortunas. Começa a haver uma constante e enjoativa repetição de cenários, junto com uma sequência de cenas e diálogos pouco atrativos.

Ou seja, nenhum fator técnico contribui para que haja algum desejo para se assistir ao filme até o final. E a premissa, por mais que possa conter uma mensagem expressiva, ainda assim, também não é um elemento suficientemente qualificado e atrativo para tornar o filme bom.

Jodorowsky sempre foi um diretor ousado e totalmente desapegado de imposições e paradigmas cinematográficos. Busca sempre trabalhar com assuntos místicos, com temas oníricos e fantasiosos e faz constante uso de simbologia em suas produções. Tudo isso sempre proporcionou ao diretor  um justo reconhecimento. Entretanto, em O Ladrão de Arco-Íris, Jodorowsky, definitivamente, não conseguiu se destacar e tampouco trabalhar eficientemente com sua identidade de produção. E, certamente, se este filme for comparado a outros trabalhos do diretor, como o visceral El Topo  e o enigmático A Montanha Sagrada, então, mais ainda, observa-se o quanto a obra, em seu contexto geral, é fraca.

Portanto, aos que ainda não estão familiarizados com o cinema de Alejandro Jodorowsky, não vale a pena começar a conhecer o diretor assistindo a esse filme, que além de ser exaustivo de se acompanhar, com certeza não é um dos maiores feitos do diretor.

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