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Crítica: O Sacrifício do Cervo Sagrado

Um médico cirurgião (Colin Farrell) desenvolve um estranho relacionamento com Martin (Barry Keoghan, de Dunkirk), um adolescente que perdeu o pai, e isso mudará a rotina e a estrutura de sua família, formada pela mulher Anna (Nicole Kidman), e seus filhos.

Quem conhece o grego Yorgos Lanthimos sabe que seus filmes têm algumas características em comum, como o fato de todos serem perturbadores, sinopses bizarras e a forma robótica dos personagens se comunicarem. Porém em O Sacrifício do Cervo Sagrado, ele assume o gênero terror. O filme começa com um coração pulsando, e logo em seguida luvas ensanguentadas sendo retiradas das mãos do médico e jogadas no lixo, uma cena simbólica que representa muito do que o diretor quer dizer. São vários os simbolismos, a figura do médico por exemplo é tida por muitos como um Deus para muitos, afinal ele pode salvar uma vida.

Assim como no recente Mãe!, o filme aborda alguns conceitos bíblicos,  e nos faz questionar sobre Deus, ao invés de misericordioso, um Deus castigador, quase diabólico. Aliás, tirando o filho mais novo, todos os personagens carregam uma aura diabólica, Colin Farrell e Nicole Kidman estão excelentes, pois conseguem expressar emoções com o mínimo de expressões. Me fez questionar também a figura do Pai, tanto o de sangue, quanto o simbólico (Deus, representado por um personagem específico que vocês reconhecerão), ambos parecem egoístas, pois dependem do sacrifício alheio para benefício próprio.

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A atmosfera remete muito a De Olhos Bem Fechados do Kubrick, com uma câmera voyeur que segue por corredores, e talvez a presença de Nicole Kidman não seja uma coincidência, então, além das metáforas bíblicas e mitológicas sobre a natureza humana, O Sacrifício do Cervo Sagrado teria também alguma mensagem sobre o casamento? Assim como o filme de Kubrick?

Por mais que o filme tenha uma ou outra referência cinematográfica, a maneira como Yorgos Lanthimos conta histórias através do cinema é única, esse cara é um gênio, um gênio contemporâneo, e eu fico feliz de poder acompanhar sua filmografia em tempo real.

Obs.: Você nunca mais irá ouvir a música Burn da Ellie Goulding da mesma forma depois deste filme.

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