Crítica: Os Vingadores: A Era de Ultron

Hulk A Era de Ultron

Os Vingadores: A Era de Ultron não é tão divertido e inocente quanto o primeiro filme, mas é muito melhor como cinema. E ainda tem o Hulk quebrando tudo. De novo!!!

A Era de Ultron Hulk vs Homem de Ferro 2

A MARVEL ACOMPANHA O AMADURECIMENTO DE SEUS ESPECTADORES A CADA NOVO FILME LANÇADO. O humor permanece como marca registrada, presente em todas as aventuras dos heróis mais poderosos da Terra (e de Asgard), assim como sequências eletrizantes de ação e personagens cada vez mais carismáticos. Mas desde Capitão América: Soldado Invernal, alguma coisa vem mudando (para melhor) nas produções da Marvel. Existe um flerte com temas mais sombrios, que discretamente vem ganhando destaque e força. Existe um produto de entretenimento que fica cada vez mais interessante e profundo, preparando o público para o climax que deverá ser assistido no terceiro e quarto filme da série.

Em Os Vingadores: A Era de Ultron, os heróis liderados por Tony Stark e Steve Rogers encontram um adversário perfeito: criado para ser um reflexo da mentalidade de Stark, o andróide Ultron se revela uma ameaça letal e manipuladora ao atacar a falta de espírito coletivo da equipe. Para tentar cumprir seu objetivo, ele conta com a ajuda dos gêmeos Mercúrio e Feiticeira Escarlate (que nos quadrinhos são filhos do Magneto). O conflito de egos é o grande atrativo da produção, que rende diversos momentos hilários – ainda que as gags visuais muito comuns no primeiro filme tenham sido praticamente extintas na continuação. Na verdade, minto. Em uma clara referência ao primeiro filme, Hulk garante a diversão dos espectadores numa cena BEM parecida com o que o maior torcedor do Palmeiras que já se teve notícia faz com Loki.

A Era de Ultron Capitão America martelo Thor

O grande trunfo de Joss Whedon no primeiro filme foi dosar bem o tempo e destaque que cada um deles merecia em cena. Ainda não procurei saber as estatísticas, mas é certo que todos os protagonistas ganham novos contornos para se firmarem como essenciais na mitologia do Universo Marvel. O Hulk, por exemplo, não apenas possui mais cenas para mostrar sua força (uma delas, aliás, leva para as telas o clássico confronto contra o Homem de Ferro nos quadrinhos) como também destaque para o lado humano de Bruce Banner. O Gavião Arqueiro, de maneira surpreendente, é o “principal” do roteiro. Em determinado momento, uma personagem diz que é muito curioso que Deuses, soldados e cientistas dependam tanto de um humano cujo único “poder” é disparar flechas. Justamente por ser o elemento humano, Gavião atua como um tipo de Ringo Star do grupo. Ele é o que mantém a equipe unida. A Viúva Negra não pode ser considerada humana porque a) ela é ruiva; b) ela é a Scarlett Johansson; c) as duas combinações juntas envolvem alto nível de hipnose e deixam pessoas muito zoadas – ou seja, ela tem um super poder. Já Thor, Capitão América e Homem de Ferro apenas se garantem como os líderes da equipe e os mais poderosos, o que permite menos destaque sem que isso seja prejudicial para a trama.

Por outro lado, Whedon teve que lidar com o desafio de inserir novos personagens. Ultron é a versão ciborgue do próprio Tony Stark e cria um interessante conflito pai-filho na trama. Poderia entrar facilmente na galeria de melhores vilões da Marvel no cinema, já que possui um senso de humor irônico e força o suficiente para derrubar qualquer um dos membros dos Vingadores. Como se trata de um vilão novo, o roteiro precisa ser cuidadoso para nos apresentar ao personagem e também aos seus interesses em recrutar os gêmeos Mercúrio e Feiticeira Escarlate. Soa risível a cena em que a dupla tenta nos emocionar falando dos seus dramas pessoais, assim como é um tanto ingênua a parte em que os irmãos mudam de lado, mas nada disso realmente pode ser considerado ruim: os dois novatos funcionam muito bem na trama e garantem a diversão. Por último, o Visão é a consciência necessária para que os heróis se conectem e passem a trabalhar em conjunto. Além de ser um cara super poderoso capaz de dar porrada em todo mundo sem precisar de muito esforço – o que me lembra o Superman: qual o sentido de criar alguém tão poderoso e o submeter a surras ridículas de vilões medíocres no futuro? Coisas que nunca entenderei.

Mercurio A Era de Ultron

Muita gente deve estar curiosa para comparar qual versão do Mercúrio é “melhor”, já que o personagem também foi usado em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. A primeira coisa a ser dita é que apesar de ser o mesmo personagem, os dois personagens são completamente opostos e vivem em universos extremamente distintos. Enquanto o Mercúrio interpretado por Evan Peters em X-Men preza por um espírito mais jovial, irresponsável, imaturo e engraçadinho, o Mercúrio de Aaron Johnson é um jovem adulto frio, vítima de um passado cruel e que não demonstra seus verdadeiros interesses pelo bem facilmente. Se compararmos pela ótica de importância na trama, eu não teria a menor dúvida em apontar o Mercúrio dos Vingadores como meu favorito, mas a verdade é que não existe nenhuma cena para “competir” com a sequência do resgate de Magneto na prisão em X-Men. Ou seja, o novo Mercúrio está lá para cumprir a sua importante função e não para realizar acrobacias para encantar os espectadores. Um sinal da maturidade do cinema da Marvel?

Assim como aconteceu nos filmes anteriores da Marvel, o efeito 3D é 100% dispensável e infelizmente é apenas uma maneira dos exibidores obrigarem o público a gastarem mais pelos ingressos. Em BH, por exemplo, existem raras sessões no formato convencional, enquanto a maioria das salas optou pelo incômodo 3D. Se você tiver opção, evite o 3D e gaste o dinheiro com pipoca, refrigerante, caipirinhas, camisinhas, motel etc.

Os Vingadores: A Era de Ultron deixa tudo preparado para os “capítulos seguintes”. A Guerra Civil, tema de Capitão América 3, já está bem plantada com as opiniões e rixas ferozes de Stark e Rodgers; as Gemas do Infinito podem ser trabalhadas em Thor 3 e Guardiões da Galáxia 2; e, o mais importante, depois de ser cuidadosamente preparado ao longo dos últimos anos, finalmente poderemos ver Thanos em ação e dando muito trabalho para os heróis no futuro. Até mesmo a cena pós-creditos fake que está rolando por aí (com o Homem-Aranha) nos dá um aperitivo do promissor futuro da Marvel. Nós, cinéfilos, amantes do cinema, apreciadores de boas cachaças, somos os grandes felizardos no fim das contas.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.