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Crítica: Paterson (2016)

Paterson (Adam Driver, ótimo) compartilha do mesmo nome com a cidade onde vive. Ele trabalha como um motorista de ônibus, gosta de escrever poemas, encontrar alguns poucos amigos e dividir o lar com sua companheira Laura (a iraniana Golshifteh Farahani, adorável).

Esta é a sinopse, mas pode ser considerada basicamente toda a história do filme, e digo isso sem medo de divulgar um spoiler, pois a ambiguidade está justamente na percepção do que vai além da superfície.

Jim Jarmusch é um diretor conhecido do cinema americano independente, que gosta de explorar personagens talentosos, porém que preferem o anonimato. Em sua visão a felicidade não está no reconhecimento público, mas sim na possibilidade de simplesmente realizar aquilo que ama ao lado da sua “alma gêmea”, ideia que é explorada através dos vários irmãos gêmeos que surgem na tela.

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No caso de Paterson, escrever e observar, e talvez o prazer em ser motorista esteja em poder exercer essa última prática. Já Laura se expressa através da pintura e culinária (cupcakes). Apesar de terem modos diferentes de viver (ele não tem celular e usa relógio analógico, enquanto ela é adepta a todas as tecnologias), ambos compartilham da mesma filosofia de vida, que é a apreciação do “agora” do “hoje”, da beleza cotidiana.

Porém todas essas coisas não são propriamente ditas. Jarmusch permite que o espectador tenha sua própria interpretação. Além disso, ele desconstrói os estereótipos, a profissão dos personagens não os definem como pessoa.

Os personagens são muito bem trabalhados, de modo que por mais diferente que possam parecer, são extremamente verossímeis, até mesmo o cachorro do casal desempenha um papel importante, cuja cenas são as mais engraçadas.

A fotografia, o design de produção e a trilha sonora (uma espécie de música eletrônica ambiente) ajudam a compor o universo de Paterson.

Paterson é um filme simples, mas não simplório, que talvez seja mais apreciado por aqueles que também enxergam a beleza no banal e cotidiano.

Obs.: Um bônus, ou diria talvez um presente para os fãs de Moonrise Kingdom, o casal do filme faz uma pequena participação como passageiros no ônibus, incríveis!

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