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Crítica: SubUrbia

Linklater pode ser bem chato de vez em quando, como é o caso de SubUrbia, drama sobre crise existencial adolescente.

suburbia

RICHARD LINKLATER É UM DIRETOR/ROTEIRISTA ESPECIALISTA EM CRIAR SITUAÇÕES em que os seus protagonistas conversam por horas. Literalmente. Na verdade, em muitos de seus trabalhos, é apenas isso que temos: uma longa troca de palavras sem que nada realmente aconteça na narrativa. Por nada, entenda: um objetivo, uma ação que os personagens precisam realizar, enfim. Se tratando do cinema de Linklater, precisamos estar preparados para assistir a um filme sobre pessoas. Um autêntico Big Brother com cérebro, digamos assim.

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Em SubUrbia, lançado em 1996, um ano após Antes do Amanhecer, o cineasta resgata o espírito adolescente de Jovens, Loucos e Rebeldes e apresenta uma noite na vida de um grupo de desajustados. Uma noite longa e entediante, em que os ânimos estão a flor da pele por causa da visita de um antigo colega de escola que se tornou em um grande cantor famoso. Basicamente, é tudo que se tem a dizer sobre a sinopse da produção.

Giovanni Ribisi e Steve Zahn são os atores mais conhecidos do elenco. Aliás, Zahn interpreta um sujeito extremamente chapado que passa o filme inteiro agindo como uma criança peluda retardada. Confesso que seria interessante ver uma continuação mostrando ele engravidando uma garota e precisando assumir responsabilidades. De qualquer maneira, mesmo com os exageros tradicionais de uma adaptação teatral – SubUrbia é inspirado numa peça de Eric Bogosian, que também escreveu o roteiro -, Zahn mais diverte que incomoda. O mesmo pode ser dito de seu companheiro Ribisi, que chega a ficar completamente nu em uma determinada sequência, como num climax para o seu discurso aborrecente.

Ribisi encarna o personagem principal, que vive um “grande dilema” quando descobre que a sua namorada pretende se mudar para estudar numa outra cidade. Apático, sem graça, rabugento e feio pra caralho, o jovem deveria ver a sua situação como um momento importante para decidir o que fazer com o seu próprio futuro, mas prefere passar a noite reclamando e falando pelos cotovelos. Enquanto isso, a sua namorada passa a noite conversando com o colega rockstar que a trata bem e a incentiva na busca pelos seus sonhos. A escola do amor nos ensina a valorizar quem nos trata bem, enquanto aqueles que nos fazem sentir a pior pessoa do mundo merecem encontrar um semelhante.

Como não podia deixar de ser, já que estamos falando de esteriotipos adolescentes, ainda temos o valentão que bebe para tentar diminuir a sua angústia por perceber a sua incapacidade de ser algo além de um bêbado que arruma confusão pela cidade; e a loirinha tímida com problemas de baixa-estima e que encontra numa garrafa de álcool a solução para os seus problemas.

O grande problema de SubUrbia é que seus personagens são chatos e seus conflitos mais chatos ainda. Linklater caiu numa verdadeira cilada, digna daquelas que cantava nosso querido Anderson Leonardo. Ainda assim, a direção e a trilha sonora acabam salvando o longa-metragem de ser um grande fiasco. Não deixa de ser uma das obras mais chatas da filmografia do diretor, mas poderia ser bem pior.

poster suburbia

SubUrbia (1996) De Richard Linklater. Escrito por Eric Bogosian. Com Giovanni Ribisi e Steve Zahn.

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