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Crítica: Vingadores: Guerra Infinita (2018)

O Cinema de Buteco adverte: a crítica de Vingadores: Guerra Infinita deverá ser apreciada com moderação. Após o trailer está a sessão de spoilers!

guerra infinita posterImagine 10 anos atrás se alguém te dissesse que existiria um filme adaptando Guerra Infinita. Nesse filme todos os maiores heróis da Marvel estariam juntos e correndo o risco de serem mortos por um mega vilão…

Você acharia improvável, não é verdade?

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Vingadores: Guerra Infinita transforma o “improvável” em realidade e se torna um dos eventos mais complexos do cinema de entretenimento em todos os tempos. A Marvel conseguiu levar para a telona toda a atmosfera dos quadrinhos e deu certo, mesmo que quando tudo começou ainda existiam receios envolvendo adaptações de heróis (traumas eternos de Batman e Robin?) para os cinemas. Só que Christopher Nolan mudou o jogo com a trilogia do Cavaleiro das Trevas…

Homem de Ferro foi o pontapé inicial. Uma aposta, afinal não era um personagem de alto escalão. Os estúdios da editora não tinham nada a perder. Quem diria que Tony Stark foi o bilhete premiado da Marvel nos cinemas – irônico até, visto que o personagem é a própria versão do ricaça de Bruce Wayne da Marvel.

Essa história toda começou lá em 2008 e ninguém poderia imaginar que daria tão certo e se tornaria o grande evento que é hoje. Esses filmes, com todas as suas críticas, impactaram o negócio de Hollywood e mudaram o jogo para sempre. Atraíram para as salas de cinemas uma verdadeira legião de fãs, que até então cagavam para filmes – provavelmente continuam assim e nunca serão capazes de entender uma crítica se não possuem bagagem cinematográfica e sequer ouviram falar de clássicos como O Poderoso Chefão, Era Uma Vez no Oeste etc.

O resultado é que a indústria percebeu uma oportunidade de negócio e logo deu o jeito de não deixar esse novo mercado perder o interesse. Negócios a parte, felizmente, o produto é entretenimento de primeira qualidade e desde 2008 tivemos a oportunidade de realizar sonhos de infância ao ver Hulk e Thor brigando entre si, Capitão América liderando os Vingadores e o Homem-Aranha interagindo com o universo cinematográfico da Marvel e todos esses personagens.

Crítica de Vingadores: Guerra Infinita (inclui spoilers)

Os irmãos Anthony e Joe Russo podem não ter mostrado um olhar pessoal e único até o momento em suas carreiras, mas certamente provaram seu valor e competência ao darem conta da pressão de reunir todos os heróis da Marvel no maior encontro de heróis de todos os tempos.

Podemos dizer até que finalmente temos um trabalho competente de direção. É arrepiante quando uma steadycam acompanha Tony Stark indo confrontar os invasores e nos enquadramentos em Thanos, que nos fazem respeitar e reconhecer ali uma ameaça letal.

A chance de errar a mão e criar uma trama rasa existia, claro, mas os diretores conseguiram tirar o melhor do roteiro da dupla Christopher Markus e Stephen McFeely, que também assinaram todos os filmes solo do Capitão América. Isso significa que todos os personagens aparecem com tempo o suficiente para agradarem aos fãs e sem desequilibrar a narrativa. O maior risco de um filme evento é ver certos heróis deixados de lado sem ganhar a atenção que merecem, mas Guerra Infinita supera esse desafio facilmente.

Outro mérito da direção é conseguir respeitar as mitologias de cada núcleo. Os Guardiões, por exemplo, são introduzidos ao som de “Rubberman Band” e com uma fotografia mais colorida e viva do que as que aparecem em NY quando o Doutor Estranho surge ou quando o Capitão América entra em cena. Em determinados momentos até acreditamos que estamos assistindo a três ou quatro filmes distintos dentro de um só até ver os caminhos dos nossos heróis se cruzando nos derradeiros confrontos finais.

Aliás, as cenas de luta deixam os fãs loucos. De cara tem aquela luta incrível entre Thanos e Hulk, o que já faz o público perder a respiração e saber que Guerra Infinita não vai enrolar. Até mesmo os sempre chatos pré-confrontos entre os aliados funcionam: ver os Guardiões lutando contra Homem de Ferro, Doutor Estranho e Homem-Aranha foi bem divertido. Os irmãos Russo conseguem manter um bom ritmo e a câmera mantém a gente dentro da batalha sem perder nenhum detalhe.

O grande diferencial em relação aos 10 anos de produção da Marvel é que desta vez é o vilão quem se torna protagonista. Já tivemos Loki conquistando fãs e roubando a cena em várias oportunidades, mas o irmão adotivo de Thor nunca foi o centro das atenções. Ao terem a ousadia de deixar os heróis como coadjuvantes para contarem a jornada trágica de Thanos, os irmãos Russo demonstram ter pleno controle da história que planejam contar.

Thanos, vivido por Josh Brolin, é humanizado e nós conhecemos mais de sua história. Numa alusão a outros líderes malucos que acreditavam que suas ideias extremistas eram a solução para o problema da humanidade, Thanos conquista a nossa atenção e nos faz entender seus objetivos. Se a Marvel pecava no passado pela ausência de vilões de qualidade, é certo que o titã atinge um nível acima do já citado Loki, Killmonger (Pantera Negra) e o Abutre (Homem-Aranha: Homecoming).

Um detalhe em especial torna a relação pai-filha ainda mais forte na narrativa. Gamora em determinado momento estala seus dedos para mostrar que é com esse gesto simples que seu pai destruirá a galáxia. O mesmo gesto é repetido por Thanos em outras duas oportunidades, quando ainda não está em posse de todas as pedras do infinito, e finalmente, quando consegue conquistar seu objetivo e após a batalha final estala seu dedo para acabar com as pessoas de todo o universo.

Essa conexão entre os dois personagens começa a ser construída com esse simples detalhe, mas que de cara revela aos espectadores como é complicado para uma filha odiar seu pai. A Marvel já havia explorado essas questões em outras produções (Hulk, de Ang Lee, talvez seja o caso mais emblemático), mas sem nunca estabelecer uma conexão tão profunda. Somente a partir do momento em que as narrativas ficaram mais maduras e sérias, que os filmes se tornaram capazes de atingir esse nível.

É arrepiante quando Thanos diz que Gamora aprendeu muito com o que ele lhe ensinou a ser foda em tudo, exceto mentir – pois isso não foi algo que o titã tenha transmitido para a filha adotiva.

Esses detalhes são fundamentais para entender e aceitar que Thanos realmente sentia amor por sua filha adotiva. Sem essa dedicação do roteiro, seria impossível acreditar que matar Gamora fosse um verdadeiro sacrifício.

Um elemento que se tornou comum na Marvel, e foi escancarado quase no nível pastelão em Thor: Ragnarok, é o humor. Mesmo com o amadurecimento da narrativa (numa possível relação com a idade do público que começou a acompanhar desde 2008, com Homem de Ferro), nunca existiu uma obra sem graça. Guerra Infinita não é diferente e consegue combinar momentos hilários com toda a ação, tragédia e tensão presentes.

Seja na troca de carícias verbais entre Doutor Estranho e Tony Stark, na presunção e insegurança de Peter Quill em relação a Thor, existem momentos bastante divertidos. Meu momento favorito (presente no trailer, inclusive) é quando Peter Parker se apresenta para o Doutor Estranho e acha que eles precisam usar os nomes de heróis apenas. Coisas bobas que passam batido para quem não é fã, mas que tornam o roteiro ainda mais especial.

Existe uma alusão de impotência sexual hilária na dinâmica entre Bruce Banner/Hulk, e eu não poderia deixar de mencionar. Só faltou um “isso nunca aconteceu antes”…

Vingadores: Guerra Infinita não é o melhor exemplar da Marvel, mas se torna um dos mais importantes e essenciais. Combinando tudo que os estúdios da editora ofereceram de melhor nesses 10 anos, os diretores até mesmo se permitiram adotar uma atmosfera digna de O Império Contra-Ataca criando um ambiente sem esperança e frio, que somente será concluído no ano que vem. Não se trata apenas da coragem em terminar a história com a morte de tantos heróis, mas de dividir em duas partes sem medo de deixar algum desavisado distraído irritado. Sempre apontei muitos defeitos nesses filmes, mas os irmãos Russo foram além do óbvio e realmente comandaram um evento imperdível para os apaixonados por esse universo fantástico de heróis.

Reviews de Vingadores: Guerra Infinita na imprensa

Selecionamos outras críticas de Vingadores: Guerra Infinita para você acompanhar:

Omelete: “Mais do que um filme de aventura ou ação, como a maioria de seus antecessores, essa empreitada dos heróis tem um senso de urgência muito maior. É um evento.” – Leia aqui

AdoroCinema: “Mesmo sendo o filme mais longo da Marvel, com quase duas horas e meia de duração, Avengers: Infinity War (no original) não possui problemas de ritmo.” – Leia o texto completo

Um Tigre no Cinema: “Sabendo como contar uma história não apenas pelas páginas do roteiro, mas também por elementos como os movimentos de câmera, os Vingadores finalmente deixaram de ser uma vírgula nas aventuras mais interessantes dos filmes solos para serem mais relevantes.Leia o texto completo

Sinopse e trailer de Guerra Infinita

Thanos, o Titã Louco, começa a sua busca pelas 6 pedras infinitas para se tornar o ser mais poderoso da Galáxia. Durante a sua jornada, cruza o caminho dos maiores heróis da Terra e os Vingadores passam pela maior provação para garantir o destino da humanidade.

O filme estreou nos cinemas brasileiros no dia 26 de abril de 2018.

Trailer

Cenas pós-créditos de Vingadores: Guerra Infinita

A cena pós-créditos de Vingadores: Guerra Infinita apresenta o (aguardado) retorno de Nick Fury e Maria Hill. Os ex-agentes da Shield aparecem nas ruas de Nova York procurando por sinais de Tony Stark e descobrindo que Wakanda recebeu a visita de forças poderosas.

Logo na sequência, um acidente de carro para o trânsito e as pessoas começam a gritar. Maria Hill e Nick Fury olham ao redor e percebem que estão todos desaparecendo. A própria agente Hill começa a sumir e Fury inicia uma corrida para o carro.

Antes dele próprio desaparecer, Fury ativa um bipe com uma mensagem direta para a Capitã Marvel (Brie Larsson), que terá o seu filme solo no ano que vem. A trama se passará nos anos 1990, ou seja, bem antes dos eventos apresentados em Guerra Infinita.

Quem morre em Guerra Infinita? – Vingadores: Guerra Infinita spoilers!!!

Papo é reto aqui para quem está morrendo de curiosidade querendo saber quem são as vítimas de Thanos.

Logo no começo, quando a nava espacial dos asgardianos é abatida, o vilão elimina a maioria dos sobreviventes vistos em Thor: Ragnarok, incluindo Heimdall. Mas a vítima mais impactante é mesmo Loki (Tom Hiddleston). O irmão adotivo do Deus do Trovão tenta enganar Thanos, mas acaba fracassando e morrendo enforcado.

Gamora é outra vítima da busca de Thanos pelas pedras do infinito. A filha adotiva (os adotados só se ferraram nesse filme…) é levada para o planeta Vomir e lá dá de cara com o Caveira Vermelha, que se tornou o guardião da joia da alma. Para conquistar a joia, Thanos precisou sacrificar algo que amava. Sobrou para a filha.

Já no final, depois do estalar de dedos de Thanos, uma lista de heróis desaparece da face da Terra: Pantera Negra, Falcão Negro, Feiticeira Escarlate, Soldado Invernal, Doutor Estranho, Groot, Peter Quill, Drax, Mantis, Homem-Aranha, Maria Hill e Nick Fury.

Que música toca na cena com os Guardiões da Galáxia?

O cineasta James Gunn havia sugerido três canções, e a escolhida foi “Rubberband Man”, do The Spinners. Ouça logo abaixo:

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