Crítica: Divertida Mente, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen
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Filme: Divertida Mente

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maxresdefault-1-838x470 Filme: Divertida Mente

Não sou fã de animações e todos que me conhecem sabem disso. Acho o trabalho genial em todos os sentidos, mas eu simplesmente não gosto do gênero, prefiro ver pessoas de carne e osso na telona. Enfim, não estou aqui para falar sobre meus gostos, mas sobre o incrível Divertida Mente (Inside Out, 2015). Recomendo o filme de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen para todas as idades, em função de seu roteiro divertido, emocionante e a mensagem que passa no fim. Por mais que ela seja óbvia, é sempre bom lembrarmos de coisas óbvias, pois é bastante normal esquecermos delas. Depois de assisti-lo, até comecei a ver as animações de outra maneira.

A dinâmica do longa é a seguinte: acompanhamos a vida da jovem Riley (Kaitlyn Dias) de dentro de sua mente. Desde bebê até a adolescência, vemos como ela lida com o mundo à sua volta a partir de cinco sentimentos que estão dentro dela coordenando suas reações: Alegria (Amy Poehler), Tristeza (Phyllis Smith), Medo (Bill Hader), Nojo (Mindy Kaling) e Raiva (Lewis Black). São esses personagens que se destacam no enredo, junto dos pais (Diane Lane e Kyle MacLachlan) e figuras coadjuvantes que estão espalhadas em diversas partes de sua mente, como amigos imaginários, o subconsciente e muito mais.

A história começa mostrando a vida feliz de Riley em Minessota, onde ela tinha vários amigos e era a grande estrela do time de hóquei, mas tudo isso sofre uma transformação quando sua família muda para São Francisco. Por mais que a Alegria tente ser positiva e ajude a garota a se adaptar ao novo lar com otimismo, uma série de eventos resulta no isolamento do sentimento dentro da mente da protagonista e as coisas pioram a cada dia que passa, podendo acabar com consequências graves. Será que a Alegria consegue retornar ao centro de comando e fazer Riley voltar a ser a menina feliz de antes?

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Quando digo que Divertida Mente é para todas as idades, o motivo é o fato do roteiro abordar as atitudes e reações da personagem de forma madura e extremamente real. É muito difícil assistir à animação e não se identificar com os pensamentos, motivações e ações dela na telona. E como em quase todas as cenas vemos como a mente reage antes de Riley fazer, de fato, alguma coisa, é ainda mais divertido e contagiante. Ainda mais porque é hilário ver como a Alegria tenta sempre predominar o controle da mente da garota e tenta afastar os sentimentos “piores”. Quando ela desenha um quadrado e manda a Tristeza ficar nele enquanto ela trabalha é engraçadíssimo!

Vale ressaltar que, em alguns momentos, temos acesso às mentes de outros personagens, entre eles um garoto apaixonado por Riley – alerta vermelho a mil no sistema -, um cachorro e até mesmo os pais dela. Com estes em específico, muitos pais de carne e osso vão morrer de rir! Ou seja, nossas mentes têm estruturas semelhantes, só que são coordenadas de maneira diferente dependendo do corpo. Foi bem interessante os diretores terem nos deixado ver outros cenários além dos de Riley.

O longa me conquistou com a mensagem que nos deixa, à medida em que vamos aprendendo mais sobre a mente da protagonista: todos os sentimentos precisam trabalhar juntos para ajudá-la a lidar com a vida, seja em momentos felizes, tristes, de raiva ou o que for. No início, nós temos vontade de ver a Alegria no comando, afinal, quem não quer ser feliz o tempo todo ou pelo menos a maior parte dele? No decorrer da película, vemos que não é bem assim e a vida não é composta de alegrias apenas; a tristeza faz parte e tem um papel essencial a todos nós. O mesmo vale para a Raiva, Nojo e Medo. E todos esses sentimentos precisam um do outro para sobreviver também.

Inside Out transmite essa moral com uma linguagem simples e emocionante, sabendo muito bem equilibrar as horas de humor e drama e explorar as possibilidades dentro de nossa mente. Os personagens extremamente carismáticos, com destaque para os cinco que controlam a mente de Riley e Bing Bong (Richard Kind), também ajudam o filme a gerar interesse nos espectadores. Com suas falhas e qualidades, eles ganham nossos corações aos poucos. E eles são uns fofos, o que facilita ainda mais!

Se você sempre quis ver como a mente funciona, só que de maneira, digamos, mais didática e eletrizante, chegou a hora. Esqueça por umas duas horas as aulas na escola e assista à aula da Disney e da Pixar, ela é inesquecível. Que tal conhecer melhor sua mente com menos reações químicas e mais linguagem cinematográfica? E olha, não precisou de nenhum ser humano de carne e osso para eu ter compreendido a lição de moral! Vou rever minhas impressões sobre as animações viu…

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.