Frozen – Uma aventura congelante

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GERAÇÕES INTEIRAS CRESCEM COM O IMAGINÁRIO DA DISNEY HÁ DÉCADAS, seja na forma do ratinho Mickey, dos contos de fada ou de suas superproduções modernas. O estúdio combinou tudo isso em seu mais recente lançamento, Frozen – Uma Aventura Congelante (Frozen), que chega aos cinemas já como forte candidato à categoria de Melhor Animação na temporada de premiações.

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Não apenas porque seja um ano sem grandes títulos memoráveis na categoria. A combinação perfeita de uma história encantadoramente divertida e a primazia técnica que sempre colocou a Disney na ponta de sua indústria é que fazem de Frozen um competidor de peso – ironicamente, uma história que parece antiquada frente às máquinas que fazem chover hambúrguer, laboratórios de malvados favoritos e vilões de videogames (da própria Disney) que se destacaram esse ano.

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A começar pelo curta Hora de Viajar (Get a horse!), que mistura CG com animação feita à mão em uma divertida historieta retrô na qual Mickey, Minnie, Horácio e Clarabela fazem um passeio musical em uma carroça de feno. Bafo de Onça tenta tirá-los da estrada em um inteligente uso do 3D jamais visto em uma animação tradicional do Walt Disney Animation aproveitando imagens em preto e branco reminiscentes de seus curtas de 1928, quando Mickey estreou, e transformando em um espetáculo visual à parte.

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Mas nada como a história das irmãs Anna e Elsa. Herdeiras do reino de Arendelle, elas eram grandes amigas na infância mas crescem cada vez mais distantes uma da outra. Até que Elsa precisa assumir o trono e, durante a festa de coroação, acaba revelando o segredo que tentou guardar durante tanto tempo: o poder de transformar tudo ao seu redor em gelo. Ela foge, deixando o reino em um feitiço congelante. Sua destemida irmã caçula sai à sua procura pelas montanhas cobertas de gelo, em uma incrível aventura junto aos companheiros que encontra pelo caminho: o vendedor Kristoff, sua rena Sven e o boneco de neve Olaf, com direito a monstros de gelo, penhascos e, como não poderia deixar de ser, lindos momentos musicais.

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Com um uso eficaz do 3D e a criação de um belo mundo congelado, Frozen se torna um espetáculo visual. Mas seu grande mérito está no texto bem construído, com um bom timing cômico, e uma história longe de ser condescendente com seu público alvo: os pequenos. Ao invés de mostrar princesas que sonham apenas em encontrar o príncipe encantado, o roteiro dos diretores Chris Buck e Jennifer Lee com base no conto “A rainha da neve”, de Hans Christian Andersen, troca o menino e a menina como protagonistas pela dupla de irmãs que, de princesinhas de contos de fadas, têm muito pouco. O longa ainda conta com um dedinho de John Lasseter como produtor, o que pode ter ajudado a trazer a atitude das histórias Pixar para o mundo Disney.

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Não que seja preciso. O estúdio conseguiu reconstruir a magia de alguns de seus melhores clássicos e musicais em uma roupagem própria do século 21 cheia de personalidade e carisma. Isso vindo de quem já tem o jogo ganho e, ainda assim, continua a se reinventar para um público que, cada vez mais, precisa ser lembrado de que meninas são muito mais que cor de rosa e sapatinhos de cristal.

kotyZ5,k-F-TplPe8f,L7BMo_Título original: Frozen
Direção: Chris Buck, Jennifer Lee
Produção: John Lasseter
Roteiro: Chris Buck, Jennifer Lee
Elenco: Kristen Bell, Idina Menzel
Lançamento: 2014
Nota:[quatroemeia ]

Nathália Pandeló

Jornalista, diretora de conteúdo na Build Up Media e amante de música, cinema, literatura e TV.