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Avatar


Zoe Saldana em versão humana

Foi uma missão complicada conseguir ver Avatar nos cinemas. O primeiro problema foi em encontrar um horário compativel com minha rotina atual e que fosse em um cinema específico. Passaram-se semanas de enrolações e quando, finalmente, consegui o meu tempo, dou com a cara na parede e descubro que a sessão estava esgotada. Não desisti e resolvi comprar o ingresso para o dia seguinte. Tudo estava parecendo bem até que um pico de energia detonou a projeção durante a exibição da sessão anterior e colocou em risco a minha sessão. Tudo isso cooperou para que Avatar se tornasse o filme mais complicado (e o último visto em 2009) de assistir dos últimos tempos. Para coroar bem a conquista, ainda consegui ter um pequeno atrito com alguns fedelhos que (inexplicavelmente) brotaram dentro da sala de exibição SEM enfrentar a fila. Não que isso tenha me impedido de tirar os moleques do lugar em que eles estavam guardando (é, eu sou escroto desse nível. nada que uma boa dose de ignorância e frieza não resolvam), mas de certo foi um grande incomodo.

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Explicadas as condições enfrentadas para conferir o novo filme do James Cameron em uma sala 3D, posso começar a contar um pouco do que é a experiência de assistir ao épico futurista do diretor de Titanic. Se você tiver que escolher entre a exibição tradicional ou a em 3D, não hesite em gastar o dobro com as entradas: vai valer a pena. O universo místico criado por Cameron dá um show visual e grande parte do sucesso está na tecnologia utilizada. Longe de dizer que a versão normal do filme não seja tão interessante, mas não apostaria no mesmo impacto. Nem de longe. Outro detalhe que vale a pena ser mencionado é que Avatar foi o primeiro filme em 3D que não recebeu a (sempre lamentável) dublagem, o que nos faz pensar que as distribuidoras preferiam poupar-se do trabalho de inserir legendas em um filme 3d. Espero que Alice no País das Maravilhas também seja exibido com legendas.

Infelizmente já tem um tempinho que vi o filme e não anotei algumas passagens interessantes (o mestre Villaça que não descubra que não segui os conselhos dele quando fui ver Avatar, embora já tenha feito em vários outros filmes). Consegui identificar certas “homenagens” de James Cameron a alguns clássicos do cinema, dentre eles Star Wars. O momento em que o vilão coloca a sua máscara de ar, ele faz uma respiração que instantaneamente evoca o poderoso lord Sith Darth Vader. E Titanic surge, em um momento de auto-reverenciamento, na sequência em que o casal principal resolve consumar o seu amor.

Não poderia passar batido nos efeitos especiais que dão vida aos Navi’s. Se o Gollum do Senhor dos Aneis já era embasbacante, a tribo azul de James Cameron é de uma perfeição de cair o queixo. A personagem Neytiri me deixou excitado, não tenho o mínimo pudor em admitir. Mesmo apresentando personagens semi-nus o tempo inteiro, Cameron conseguiu uma proeza digna de aplausos. Os Navi’s são ambíguos e ao mesmo tempo que conseguem apresentar sua sexualidade para o público, conseguem se manter totalmente puros como Smurfs gigantescos e compridos. Algo bem curioso, mas que não soa como novidade para os trabalhos do diretor. Se podemos dizer alguma coisa sobre James Cameron, além de sua obsessão com grandeza e falta de zelo por dialogos dignos da história, é que ele trabalha com o sexo de uma forma bem natural. Se Avatar e seus Smurfs gigantes não servirem de exemplo, podemos tomar o striptease de Jamie Lee Curtis em True Lies ou Kate Winslet posando para a caneta de Leonardo diCaprio em Titanic.

Mesmo sendo um grande show visual recheado com pequenas “homenagens” a alguns filmes e com excelentes efeitos especiais (já disse isso, né? mas vale ressaltar), o grande problema de Avatar é que o marketing vendeu um produto bem melhor que o que pude assistir. Não é um filme ruim. A trama do fuzileiro paraplégico que acaba se envolvendo numa guerra entre humanos e alienigenas é interessante, mas os dialogos acabam transformando Avatar em um hino norte-americano rebelde contra o atual sistema. A mensagem política que está implicita é chata e clichê, e quando é apresentada em dialogos fracos, beira o ridiculo. E é uma pena que Avatar sofra desses poréns, pois mesmo com defeitos ele é um dos melhores filmes de 2009. E reitero que é um filme para ser experimentado no cinema. Os smurfs ultradesenvolvidos merecem. E James Cameron agradece.

Ficha Técnica:
Avatar
(2009)
Dirigido:
James Cameron
Roteiro: James Cameron
Genêro: Ficção
Elenco:
Sam Worthington
Trailer


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