Capitão América: O Primeiro Vingador | Cinema de Buteco
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Capitão América: O Primeiro Vingador

por João

Capitao-america Capitão América: O Primeiro Vingador


A FRAGILIDADE É UMA QUALIDADE EXPLORADA À EXAUSTÃO NO MUNDO DOS SUPER HERÓIS. Os frágeis são também os mais nobres, enquanto que a força tem um pouco de megalomania. Super Heróis sempre tem um pouco de fragilidade, talvez uma tentativa de torná-los mais humanos (ou no mínimo criar situações narrativas possíveis) e a história de um rapaz frágil que ganha super podereres não é novidade. A forma como é conduzida por ser. Não que o caso de Capitão América, mais recente lançamento dos estúdios Marvel seja realmente surpreendente, novo, inventivo. A narrativa é mais que conhecida, o final até previsível, mas é um filme competente, dirigido com sobriedade por um grande conhecedor de efeitos especiais e cinema e de aventura: Joe Johnston.

Como em Lobisomem e em Jurassik Park 3, outros trabalhos de sucesso do diretor, há uma preocupação em desenvolver a história (sem uma necessidade de profundidade) e seus personagens à ponto de realmente nos importarmos com eles: Steve Rogers (Cris Evans) é um menino franzino que conhece a guerra de longe: seus pais morreram no campo de batalha. É a Segunda Guerra Mundial e o espírito americano que promete salvar o mundo do fantasma nazista está a todo vapor. Jovens se alistam e o patriotismo se confunde com vontade de matar. Depois de várias tentativas frustradas de se alistar no exército, o garoto desperta a curiosidade do Dr. Erskine (Stanley Tucci, ótimo), que desenvolveu uma fórmula para criar um super soldado capaz de levar as tropas americanas à vitória. Sua determinação e resignação também chamam a atenção de Peggy Carter (Hayley Atwell).

Logo ele deixará de ser o menino fraquinho do Brooklin para se tornar o Capitão América, sem saber que ele não é o primeiro passar por esta experiência: também recebeu uma dose deste soro Johann Schmidt (Hugo Weaving) um cientista megalomaníaco (a ponto que querer ser maior que o fürher) e que se vangloria de ter feito uma descoberta que mudará o destino da humanidade. Ele é capaz de controlar poderes outrora divinos, e é aqui que o filme mostra sua maior qualidade: a capacidade de desenvolver a história “solo” de um super herói, e de se relacionar com outros universos da Marvel (tentativa do estúdio de preparar o campo para o vindouro Vingadores). De Tony Stark à Thor, já temos alguns indícios de como a trajetória destes personagens se cruzam, sempre de maneira orgânica e crível, o que torna o filme poderoso quando coloca o espectador em contato com todo um universo de histórias (o que não deixa de ser estratégia de marketing, já que ver outros filmes da Marvel passa a ser necessário).

Sim, Thor já apresentava outros personagens e conexões com a história de Vingadores. Mas o erro (que era o erro de todo o roteiro) é que nada parecia natural: é como se aqui e ali elementos familiares aparecessem isoladamente e por isso de forma pouco convincente. Erro no qual Capitão América não incorreu.

Se existe uma pequeno problema aqui, é a performance de Chris Evans. Ele não é um Ryan Reynolds que consegue misturar beleza, carisma e boas atuações. Faltou uma composição de personagem mais delicada, mais cuidadosa, já que, nem sempre o Capitão América foi o Capitão América. Não há uma diferença na atuação no que pode-se chamar “duas fases do personagem”: ele é sempre durão, destemido… Não pareceu convincente. Quanto ao restante do elenco todos estão naturalmente bem em seus papéis. Nada que escolhas adequadas não façam por um filme.

No fim das contas Capitão América se mostra entretenimento de qualidade, que usa o 3D com parcimônia (as cenas iniciais são fantásticas), usa um bem vindo senso de humor para (porquê não?) fazer uma leve crítica ao espírito americano da época (que no fim das contas não acabou), e que se coloca como um bom prequel para Vingadores. E no final, a aparição de um personagem onisciente nos mostra que ainda temos muito da história a acompanhar.
Capitao-america Capitão América: O Primeiro Vingador
Captain America: The First Avenger (2011)
Direção: Joe Johnston
Elenco: Chris Evans, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving, Dominic Cooper, Stanley Tucci, Toby Jones

João

Filósofo, arte educador, amante de cinema, funk carioca e de uma boa conversa acompanhada de cerveja.

Comentários

  1. Acho que você falou tudo que pensei sobre o filme, senhor João.

    Capitão América é surpreendente e consegue superar fácil o Thor, que já tinha me agradado bastante.

    Só não sei se concordo sobre a atuação do Chris Evans (aliás, nem precisava ter assinado o post depois daquela imagem na abertura). A atuação dele está boa sim. Ele transmite um olhar perdido, de quem está lá na Guerra para cumprir o seu dever e nada mais importa.

    E o Ryan Reynolds pode ser bem mais carismático, mas Lanterna Verde não foi muito bem recebido nos EUA…

  2. ainda não vi, mas sempre achei o Evans um ator melhor que o Ryan Reynolds. veremos como ele se sai em Lanterna Verde…

    agora, essa foto foi muito bem escolhida, hein? UAU.

  3. Os posts do João costumam ser tão motivantes (L)

    E eu acabei ficando sem compania pra ver o filme, né? Vou ter que apelar pra alguma menina tarada…QUÉDIZÊ…

  4. Pq todo mundo insiste em dizer que o Ryan Reynolds é um bom ator??? Pra mim falta um kg de sal (e sazon e azeite e pimenta). "Beleza, carisma e boas atuações"…onde tá tudo isso???