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Homem de Ferro 2

Se não chega a ser decepcionante, a nova aventura do Homem de Ferro deixa bastante a desejar em relação ao excelente primeiro filme. Parece que Tony Stark já não encanta como antes e não fosse o ator Robert Downey Jr viver o personagem, todo o projeto teria naufragado bonito. São as tiradas bem humoradas do ator que fazem o filme. Principalmente para aqueles que conseguem entender o inglês, que irão se deliciar com o trocadilho mais infame dos últimos tempos na cena em que herói e melhor amigo se enfrentam numa luta que destrói a mansão Stark. A trilha sonora também agrada, o que apenas reforça a imagem “cool” que foi criada no longa original. O guitarrista Tom Morello (do Rage Against the Machine) assina a trilha, que ainda conta com canções de AC/DC e The Clash. Os efeitos especiais, uma das razões que fazem pessoas normais gostarem de filmes de super-heróis, estão presentes e somente aprimoraram o que já havia sido destaque anteriormente. Até mesmo os atores fazem um bom trabalho, o que não era para menos, já que Scarlett Johansson, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson, Sam Rockwell e Gwyneth Paltrow são atores de primeiro time e conseguem garimpar bem um espacinho em meio ao ego exorbitante de Tony Stark, que não poderia ser melhor interpretado por nenhum outro ator de Hollywood. Então… se tudo é bom, qual o problema de Homem de Ferro 2?

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A impressão que fica é a de que depois do sucesso do outro filme, os produtores pensaram que o jogo estava ganho e que não precisariam se esforçar em criar uma história forte e chamativa. O personagem de Mickey Rourke é fraco, meio morto. Uma pena a direção que deram para o vilão na adaptação, mais um pouquinho (ok, mais um tantinho) e lembraria o Bane do fiasco Batman e Robin (para quem não sabe, Bane foi o vilão responsável por quebrar a coluna do Batman nas revistinhas e no cinema, acabou virando “escravo” da Hera Venenosa, uma vilã de meia tijela). Já Sam Rockwell dá um show como o ambicioso empresário Justin Hammer. Porém o roteiro não privilegia nenhum outro ator que não seja o Robert Downey Jr, o que chega a ser chato. Não que o ator seja ruim (prefiro ele ao Johnny Depp atualmente), mas gastaram tempo demais mostrando um problema pessoal de Stark e investiram muito pouco no psicológico do personagem. Quando Sam Raimi decidiu fazer algo parecido em Homem Aranha 2, conseguiu sucesso quase que absoluto. O motivo? Além de Peter Parker ser um cara bem mais legal que o Tony Stark, não haviam tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo e nem tantos personagens importantes dando as caras. Esse já não é um problema novo se tratando de adaptações de personagens das hq`s, mas muitos produtores se deixam levar pela empolgação e acabam inflando o elenco. Não estou dizendo que o fato de Homem de Ferro 2 ser mais fraco que o original seja a quantidade de personagens e detalhes. Ele é ruinzinho mesmo por conta de uma história que não sabe para onde apontar: se concentra na doença de Tony; se investe no confronto entre Rourke e Downey Jr; ou se (deveria ter sido assim) gira todo em torno, ao redor, ao lado, ao tudo, da Scarlett Johansson. O diretor Jon Favreau deixou a peteca cair e perdeu o controle do roteiro, o que só aumenta nossa preocupação para o aguardado filme dos Vingadores. Como fazer um filme bom quando se tem tantas opções de caminhos e abordagens?
Fica complicado afirmar que a solução é cortar os vilões em excesso. O Cavaleiro das Trevas tinha três personagens grandes e um bando de mafiosos e nem por isso foi um fracasso. Mas o roteiro deu muita abertura para a atuação espetacular do falecido Heath Ledger e em Homem de Ferro 2, por maior que seja o carisma de Sam Rockwell, ele não consegue rivalizar com o superego de Tony Stark. E como se não bastasse a ausência de um outro nome para dividir as atenções com o personagem principal, ainda existe uma sub-trama desinteressante que aborda as consequências da armadura na saúde de Stark. Se a intenção era adicionar o drama e causar reflexão, poderiam ter tentado usar uma maneira menos artificial. Mas de novo, graças ao talento de Downey Jr, temos bons momentos como na cena em que ele decide pilotar o carro de corrida apenas pelo prazer da adrenalina. Uma cena que poderia ter um significado bem mais forte e que fica vazia. O Nick Fury, que pelo que me recordo era um sujeito sério, ganha ares sarcásticos com a interpretação de Samuel L. Jackson. Estragou a seriedade do personagem. Aliás… para Homem de Ferro 3 ou Os Vingadores, o diretor Jon Favreau vai ter que tomar MUITO cuidado para não tornar a história banal e beirando a comédia. Ter um personagem mestre em sacadas geniais é ótimo, mas usar o diálogo como único trunfo é um grande perigo. E que parece bem perto de acontecer. O que estragaria completamente o universo Marvel nos cinemas…
Porém ninguém quer ir ver Homem de Ferro esperando ver uma obra prima do cinema. Não foi dessa vez que os Marveletes conseguiram fazer algo que superasse a excelência máxima alcançada pela parceria Warner, DC Comics e Christopher Nolan em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Na verdade, podemos dizer que será quase impossível outro herói conseguir repetir a dose, principalmente se tratando de um personagem narcisista como Tony Stark. Mas como isso é uma discussão para um número limitado de fãs, o filme irá agradar a todos aqueles que estiverem apenas afim de uma boa diversão para passar o tempo.

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