Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles

Imaginem a mistura de Independence Day e Guerra dos Mundos com um Guerra ao Terror chapado de tequilas e outros filmes de guerra. Claro que tudo no seu devido contexto. Não é para menosprezar a obra genial de Herbert George Wells e que causou verdadeiro rebuliço depois do episódio em que Orson Welles fez uma leitura da obra nas rádios de Nova York e assustou grande parte da população, que acreditava que a invasão estava realmente acontecendo. E nem mesmo é justo usar a comparação etílica com o vencedor do Oscar de melhor filme do ano passado e todo o seu clima de tensão onde as coisas simplesmente não acontecem e você fica angustiado com a possibilidade de ser assustado a qualquer momento. Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles com certeza bebeu nessas fontes e se esforçou para fugir do estereotipo de filmes de guerra com extraterrestres. Pode-se dizer que ele conseguiu ser um pouco feliz, mas o resultado final é o mesmo presente nos roteiros de todos os outros “primos” distantes.

O público está cansado de ver tantos filmes parecidos e perceber que em raras oportunidades os humanos se dão mal. A obrigação que o cinema norte-americano tem de nos dar essa falsa sensação de segurança e justiça é incômoda e desnecessária. Os jovens e adultos de hoje conseguem encarar bem um final apocalíptico, onde os acontecimentos poderiam estar mais próximos da realidade. Ou existem pessoas que realmente acreditam que o poder militar dos EUA é tão poderoso que será capaz de subjugar até mesmo forças desconhecidas de outros planetas? Aliás é bom tocar nesse ponto. Invasão do Mundo (me recuso a falar do subtítulo em respeito ao sensacional album de mesmo nome da banda Rage Against the Machine, que deve ter ficado feliz em ser “trilha sonora” imaginária para os fãs que forem assistir ao filme) é um exemplo de filme onde o patriotismo exagerado e exacerbado dos ianques passa um tanto disfarçado. Eis o motivo de minha comparação (infeliz) com Guerra ao Terror. O roteiro do estreante Christopher Bertolini tenta ter uma forte veia dramática ao focar no desejo do personagem de Aaron Eckhart de abandonar o exército por conta de uma missão que terminou com a morte de todos seus comandados. Eckhart é um sujeito competente e até se esforça para dar toda a caracterização sofrida do SSgt. Michael Nantz, mas tanto o roteiro quanto a direção de Jonathan Liebesman (Massacre da Serra Elétrica) são fracos demais para esperar algo de bom da performance dos atores.

Agravando ainda mais a situação, o espectador é obrigado a lidar com personagens extremamente clichês e que não acrescentam absolutamente nada na trama. A coitada da Michelle Rodriguez surge novamente interpretando ela mesma, ou seja, uma personagem feminina que consegue ser mais “macho” que muitos dos soldados do filme. Se houver alguma diferença na performance da atriz em Invasão do Mundo e nos personagens desempenhados em Resident Evil, Velozes e Furiosos, Machete, Avatar e (claro) Lost. Será que ela vai ficar eternamente presa nesse tipo de personagem? Não fosse por sua Ana Lucia de Lost, as opiniões seriam de que Rodriguez é incapaz de transmitir emoção sem ser com a ajuda de explosões e poses, mas mesmo aos trancos, a atriz mostrou que consegue lidar com personagens mais profundos. Não é o forte dela e nem algo impossível, mas ela sabe fazer um pouquinho. Outro ator que não faz nada de novo e que se repete é o Michael Peña, Se bem que o caso dele é mais grave, já que nunca ganhou a responsabilidade de ser um protagonista. Então, como se não bastassem os problemas de originalidade no roteiro e na falta de uma profundidade maior na tentativa de misturar guerra e drama, Invasão do Mundo é recheado de personagens clichês e estereotipos tão ultrapassados que chegam a ser ofensivos.

A história também não é muito original. Estranhos cometas se aproximam da atmosfera terrestre e então o exército é colocado de prontidão para um possível ataque extra-terrestre. Quando os visitantes confirmam as suspeitas e passam a atacar toda a população, apenas a cidade de Los Angeles (por que ela?) resta para ser defendida com unhas e dentes como forma de preservação da espécie humana. Nada poderia ser mais absurdo que isso, mas pelo menos existem efeitos especiais (nada inovadores, diga-se de passagem) para compensar todo o besteirol que somos convidados a degustar ao longo da exibição. Se o seu tipo de filme favorito incluir ficção-científica e guerra, pode ser que Invasão do Mundo te agrade. Mas acredito que dificilmente alguma pessoa com o mínimo de bom senso vai parar e eleger a produção como um longa inesquecível e digno de nota. Eu disse dificilmente e não que isso seria impossível…


Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.