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Máquina Mortífera

Assim como Duro de Matar, a franquia Máquina Mortífera é um daqueles exemplos de filmes de ação inesquecíveis e essenciais. Longe de ser uma obra de arte indispensável, o longa-metragem tem como objetivo principal entreter o público. O diretor Richard Donner tinha em mãos dois excelentes atores em personagens batidos e um roteiro sem muita criatividade. Havia um grande risco do filme não convencer a crítica, mas tudo foi superado com a boa química dos dois atores.

O sucesso da parceria entre Mel Gibson e Danny Glover rendeu diversos outros personagens com claras influências da franquia. Homens de Preto (onde acontece a inversão de personagens: o negro se torna o engraçadinho e o branco é o velho rabugento) é um dos melhores exemplos, assim como a divertida paródia Máquina Quase Mortifera (estrelada por Emilio Estevez e Samuel L. Jackson). Na época, imagino que Máquina Mortifera seja um dos primeiros filmes a utilizar essa fórmula, devia ser interessante misturar duas raças diferentes como forma de combater o preconceito e o racismo. Danny Glover se torna o policial veterano, competente e rabugento. Mel Gibson surge como o oposto: suicida, psicótico e impulsivo. O encontro dessa estranha combinação (e que deu tão certo que rendeu três continuações) acabou marcando época e influenciando uma pancada de produções parecidas.

O galã Mel Gibson agindo como um policial psicótico e suicida, rende excelentes momentos. Tudo muito exagerado, claro. Nas sequências inicias de apresentação dos personagens, Martin Riggs (Gibson) é quase um Chuck Norris invencível (olha a redundância). Fica meio forçado. Paralelamente, Roger Murtaugh (Glover) é um chefe de família e policial de longa data. Sempre focado, controlado e paciente. A graça do filme é justamente ver como os dois personagens tão diferentes conseguem se relacionar e criar uma dupla implacável. Um dos maiores exageros acontece no final do filme, quando num momento surreal (e desnecessário), Riggs luta com o vilão debaixo da chuva. Qual o sentido? Valorizar a condição de machão dominante?

A trilha sonora é o grande achado do filme e se tornou parte do legado da franquia. Em várias cenas é possível ouvir um verdadeiro desfile do melhor do blues. Richard Donner e os produtores de Máquina Mortífera tiveram bom gosto e inteligência o suficiente para convidar Eric Clapton para assinar a trilha original. O resultado você confere na tela, com a certeza de que está realmente assistindo um filme da franquia de maior sucesso da carreira de Mel Gibson.

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