O Exterminador do Futuro

Em 1984, James Cameron não era nada. Até então, o diretor havia comandado as câmeras apenas em Piranhas 2 – Assassinas Voadoras (produção que certamente merece comentários) e foi então que Cameron revelou que a ficção-científica era um de seus gêneros prediletos. Quando o primeiro Exterminador do Futuro chegou aos cinemas, foi o passaporte da fama e reconhecimento para o diretor, que quase jogaria tudo privada abaixo com O Segredo do Abismo de 1989.
O filme contava a história de um andróide enviado do futuro para eliminar Sarah Connor (Linda Hamilton) e evitar o nascimento do líder da resistência humana contra as máquinas. Para salvar Connor, Kyle Reese (Michael Biehn) também é enviado do futuro e precisa se esforçar para não acabar sendo mais uma vítima da matança desenfreada do exterminador.
Recheado de efeitos especiais de última geração (que hoje são bem toscos, como por exemplo a cena em que o exterminador persegue Connor e Reese por um corredor) e com uma trilha sonora envolvente e responsável por criar todo o clima de preparação pré-guerra, Exterminador do Futuro não demorou para se transformar em um marco do sci-fi.
Arnold Schwarzenegger, o Mister Universo, resolveu ser o vilão depois de ler o roteiro. Inicialmente, o gigante interpretaria Reese, mas depois de perceber todo o potencial da série e do personagem, não hesitou em pedir para trocar de papel. Talvez esta tenha sido a decisão mais sábia do ator em toda a sua carreira, já que é impossível mencionar Schwarzenegger sem lembrar do Exterminador do Futuro ou vice-versa. Aliás, o ator até parece um andróide mesmo com aquele corpo simétrico e que lhe rendeu vários prêmios. Existe uma cena em que ele arranca um dos olhos e a dificuldade para perceber se aquilo é o ator ou um boneco é imensa, tamanha a feiura de Schwarzenegger.
Curioso reparar na participação especial de Bill Paxton (Titanic) como um malaco junkie que é surrado logo no começo do filme. E como não podia deixar de ser para um filme da década de 80, pelo amor de Deus, reparem no visual dos figurantes. Até mesmo as madeixas de Linda Hamilton nos deixam com uma eterna vergonha alheia, independente dela ser a mãe do líder da revolução e ser mais “macha” que o próprio Exterminador. As atuações deixam a desejar, principalmente quando Biehn tenta fazer um discurso sério e expressões que deveriam indicar apreensão e insegurança. Já o detetive interpretado por Lance Henriksen é o responsável pela carga humorística (ainda que numa sutileza que passa despercebida para muita gente) da produção, pois todas as suas falas são sumariamente cortadas/ignoradas pelo seu chefe.
Herói convincente.
Exterminador do Futuro é o cartão de visitas de James Cameron para Hollywood e os grandes sucessos. O cuidado com os efeitos especiais e a necessidade de grandiosidade já se mostravam presentes, assim como a capacidade de introduzir pequenas doses de humor e ironia, como o clássico “I`ll be back” (uma das 16 falas de Schwarzenegger no filme inteiro). Pode até não ser melhor que a continuação, mas esse é um daqueles filmes indispensáveis na lista de qualquer cinéfilo que goste de sci-fi.
São três caipirinhas.
Terminator, 1984
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Lance Henriksen, Michael Biehn

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.