O Preço do Amanhã


EXISTE UMA MÚSICA DO JOTA QUEST QUE PERGUNTA QUANTO VALE O SHOW, quanto vale a vida. No final das contas, nós ficamos na dúvida sobre o preço que pagamos para lidar com um dia após o outro, matando leōes para sobreviver e correndo contra o tempo para conseguir conciliar todas as atividades profissionais com as pessoais, que inevitavelmente fica jogada para segundo plano.
A trama futurista de O Preço do Amanhã apresenta uma época onde as pessoas simplesmente param de envelhecer aos 25 anos e então começam a trabalhar para sobreviver. O dinheiro perdeu o seu valor e a moeda da vez é o tempo, distribuído como se fosse migalhas para as classes mais pobres, que sofrem com as mortes quase diárias das pessoas que ficam sem tempo.
Até que Will Sallas (Timberlake) consegue ganhar tempo o suficiente para comprar seu passaporte para a cidade onde vivem uma pequena e privilegiada minoria. Nada muito diferente do que estamos habituados, não é mesmo? Lá passa a ser perseguido e tenta colocar em prática seu plano de ser o Robin Hood do “tempo”, salvando a vida várias pessoas e literalmente fodendo (com a filha do) sistema.
A inteligente escolha de colocar o dinheiro substituído pelo tempo é apenas um dos focos da produção. Existem várias críticas importantes, como a má distribuiçao e especialmente sobre a constante e crescente obsessão com a beleza. Todos os personagens são jovens, indep endente de terem mais de 100 anos. O Preço do Amanhã consegue retratar essa condiçao a qual ninguém poderá escapar, mas infelizmente não se aprofunda e deixa a discussão bem superficial. Claro que é o suficiente para entreter o público cativo das produções pipoca de hoje em dia, que provavelmente dirão “que filme louco, né?”ou alguma idiotice como “ah, queria ter 25 anos para sempre e ser lindo”.
Justin Timberlake e Amanda Seyfried estrelam a produçao sci-fi do diretor Andrew Niccol. Felizmente O Preço do Amanhã não depende da fraca química do casal para se sustentar. O roteiro de Niccol poderia muito bem ter saído da cabeça de Philip K. Dick (autor de Blade Runner), o que fortalece a possibilidade te tornar o longa cultuado daqui algunns anos, segundo opinião do nosso resenhista Fabricio Carlos. Será que ele está certo em arriscar afirmar que Seyfried e Timberlake protagonizaram o filme incompreendido da temporada?
Independente da fraca performance da dupla. Timberlake parecia muito mais a vontade com Mila Kunis no recente Amizade Colorida. A fraca atuação fica ainda mais evidente quando Seyfried está em cena. A primeira referência que tenho para comentar sua personagem histérica é relembrando Dakota Fanning em Guerra dos Mundos. Seyfried pode ter um sex-appeal de outro mundo com aquela cara de quem saiu direto de um mangá, usa umas roupas provocantes o filme inteiro, mas nem isso consegue disfarçar suas deficiências como atriz e a fraqueza de sua personagem, que é ilustrativa.
O legal mesmo é a breve participação de Olivia Wilde como… MÃE de Timberlake. A cena em que a “família” se abraça na cozinha, com ela de camisola, me fez repensar muito alguns valores e enteder de uma vez por todas aquele tal de complexo de Édipo.

Título original: In Time
Direção: Andrew Niccol
Roteiro: Andrew Niccol
Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried
Nota:  

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.