Thor

por João

KÉDIZÊ

De Kenneth Branagh. Com Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Tom Hiddleston, Stellan Skarsgard.

Vamos falar de filmes de super heróis?

Em 2002 Homem Aranha mostra que este gênero pode dar certo. Sam Raimi sabe como fazer cenas de ação, coloca toques de humor, e tem em mãos um personagem carismático. Os atores ajudam também, claro. Cabe à Christopher Nolan perceber que a fórmula do filme do cabeça de teia funciona, mas já está desgastada (o terceiro filme do cabeça de teia é um fiasco de críticas). Um tom mais realista e sombrio coloca o Cavaleiro das Trevas no lugar que nunca deveria ter saído e a sequência de Batman Begins, O Cavaleiro das Trevas acaba sendo um dos melhores filmes de 2008, extrapolando gêneros e se afirmando como um filme de super herói sim, mas sem o foco no público adolescente.

Falo destes dois filmes antes de falar de Thor, motivo deste texto, porque invariavelmente foram eles que ditaram alguns paradigmas para que um filme de super herói seja realizado hoje em dia. A maioria das produções que optaram por seguir o caminho do primeiro acabaram morrendo na praia, entregando filmes divertidos, mas nada relevantes: aqueles filmes que não vão mudar sua vida. Watchmen pode ser considerado o único que seguiu o caminho do segundo, se tornando um dos melhores filmes do gênero entre esta última safra de produções (ao lado de Homem Aranha 2 e do filme de Chris Nolan). Mas neste caso não tinha como errar. Era só Snyder seguir a cartilha de Alan Moore que tudo ia dar certo.

É aqui que chegamos a Thor. Filme bem feito, bem realizado, bons efeitos especiais, atores competentes… Mas, e daí? Isso ainda é suficiente para tornar um filme necessário, ou seja, tornar a adaptação daquelas histórias, que antes só existir na HQ um caminho natural? Não.

Thor é um bom filme, mas não acrescenta nada à história original criada por Stan Lee. A saga do Deus do trovão não se resume apenas a uma jornada de amadurecimento de alguém que não sabe segurar sua impulsividade quando percebe ser invencível. Porque Thor É invencível. As cenas de ação dirigidas por Kenneth Branagh (conhecido pela direção de Hamlet de 1996 e Frankenstein de 1994) deixam isso claro. Branagh tem experiência com dramas shakespearianos (o drama do irmão que ter tomar o trono do pai e matar o irmão, para falar resumidamente) mas não com cenas de ação. Um ponto a menos para o filme, que poderia se aproveitar das possibilidades que o personagem oferece para entregar momentos mais grandiosos.

Claro que não se pode dizer que o filme não tem seus momentos de grandiosidade. Asgard é belissimamente bem concebida pelo design de produção. O 3D dá um efeito de profundidade interessante. Deixando de lado o figurino dos quatro amigos de Thor (que mais parecem saídos de uma convenção de cosplay), as armaduras conferem esta grandiosidade à Odin (Anthony Hopkins fazendo muito com o pouco que tem em cena) e Loki (Tom Hiddleston amargurado e orgulhoso – uma das melhores coisas do filme).

Chris Hemsworth? Consegue convencer como protagonista. Tem carisma, talento. E claro, beleza. Mas a impressão é que o casal protagonista (não há herói nas telonas sem interesse amoroso, mais uma regra que Sam Raimi nos ensinou) está no automático: Natalie Portman é uma Jane corajosa, uma mulher da ciência como nos diz um dos cartazes do filme, que se encanta automaticamente por Thor (mas também né?), mas é só.

Falta profundidade nos personagens, falta vontade de fazer um filme que supere expectativas. Thor não é ruim, mas também não é excepcional. E nem vai mudar a vida dos fãs dos quadrinhos do herói. Será que a franquia de heróis Marvel sobrevive à Vingadores? O futuro está nas mãos de Joss Whedon. Vamos aguardar. O fim dos créditos parece apontar alguns caminhos…


João

Filósofo, arte educador, amante de cinema, funk carioca e de uma boa conversa acompanhada de cerveja.