Crítica de Baywatch: S.O.S. Malibu (2017), de Seth Gordon
Aventura Comédia

Baywatch: S.O.S. Malibu

critica de baywatch

poster-baywatch Baywatch: S.O.S. MalibuBAYWATCH RECEBEU MUITAS CRÍTICAS NEGATIVAS DOS MEUS AMIGOS ESPECIALISTAS. Principalmente a Maristela, do Cinema no Escurinho, e o Marcelo Seabra, o Pipoqueiro, que não gostaram nadinha e apostaram que eu provavelmente iria gostar. Eles acertaram em cheio…

A trama apresenta um grupo de salva-vidas tentando descobrir quem são os responsáveis por uma morte misteriosa na praia ao mesmo tempo em que começam a se conhecer para trabalhar melhor como uma equipe eficiente.

A homenagem à série canastrona dos anos 1990 SOS Malibu não chega a ser hilária ou livre de qualquer defeito, mas consegue acertar a mão como uma aventura desprovida de qualquer noção ou apego aos bons costumes da sociedade. Por exemplo, existem duas piadas bem gráficas envolvendo pintos. Sabemos que nudez masculina ainda causa desconforto em boa parcela do público médio e comum.

Não tenho problema com pirocas. Inclusive, até aprendi a aceitar a minha. E também não tive problemas com essa releitura de Baywatch dirigida por Seth Gordon, um cineasta já acostumado a trabalhar nos limites do politicamente correto em produções (bem mais engraçadas) como Quero Matar o Meu Chefe e Uma Ladra Sem Limites. A grande vantagem aqui é contar com um inspirado Dwayne Johnson, eterno The Rock, que abraça a zoeira e mergulha de cabeça nesse oceano de besteiras.

Johnson é o tipo de ator que funciona bem numa comédia por causa do seu porte físico. Vale comparar com as ocasiões em que Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger se aventuraram no gênero, como em Pare! Senão Mamãe Atira ou Um Tira no Jardim de Infância, respectivamente. Além disso, conta muito o fato de Johnson não ser um ator ruim de serviço e divertir o público com uma naturalidade incrível. Os minutos iniciais já fazem rir e esclarecem para o espectador: não espere que essa narrativa se leve a sério.

Ao lado de Johnson temos Zac Efron, que é zoado o tempo inteiro ao ser chamado de vários apelidos maldosos. Aqui temos um ponto forte que o roteiro trabalha: o personagem de Efron só é chamado pelo seu nome certo depois que prova o seu valor. Infelizmente, o que poderia ser um acerto grande, fica pequeno por conta da falta de sutileza e/ou necessidade de contar piadas o tempo inteiro. Assim que Efron percebe isso, ele solta uma exclamação dizendo: “Você disse o meu nome!”

Não seria Baywatch sem David Hasselhoff, o pai dos canastrões. O velho Mitch surge em apenas dois momentos, mas é o suficiente para agradar em cheio aos velhos fãs da série. O mesmo pode ser dito de Pamela Anderson, a loira que deixava marmanjos ansiosos para receber uma boa respiração boca a boca das salva-vidas do clube mais próximo.

Longe de ser a coisa mais engraçada vista nos cinemas em 2017, mas ainda mais distante se ser considerado uma poluição intelectual, Baywatch deixará os fãs de produções idiotas satisfeitos. Temos homens musculosos sem camisa, mulheres National Geographic usando biquínis apertados, gordinhos nerds defendendo a causa e mostrando benefícios, enfim. Tem assunto para agradar vários públicos – exceto quem já está sem paciência para humor descartável e que não agrega. Nesse caso, Baywatch será uma grande decepção.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.