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Conta Comigo

DOIS DOS FILMES MAIS EMBLEMÁTICOS DA DECÁDA DE 1980 RELACIONADOS COM A ENTRADA NA ADOLESCÊNCIA são Os Goonies e este Conta Comigo. A história, baseada num conto de Stephen King, fala de amizade, lealdade, companheirismo, desafio, amadurecimento.

Gordie Lachance (Wil Wheaton) é um escritor que resolve revisitar o ano de 1959, quando as férias de verão fizeram sua vida mudar. Junto com os amigos Chris Chambers (River Phoenix), Teddy Ducchamp (Corey Feldman) e Vern Tessio (Jerry O’Connell), ele vive uma jornada em direção à vida adulta, enfrentando uma cidade conservadora e sem graça. Seus pais fingem que ele não existe, devido ao luto pela morte do filho mais velho. Seus três amigos são considerados fracassados – um foi acusado de roubo na escola; outro tem o pai extremamente violento e o terceiro é um gordinho bobo, sempre zoado pelos companheiros. O quarteto é constantemente incomodado pelo grupo liderado por Ace Merrill (Kiefer Sutherland), formado por jovens rebeldes, cujo passatempo é jogar beisebol com as caixas de correio da cidade.  Em meio ao tédio do verão, Vern traz a notícia: um garoto que estava desaparecido foi morto, atropelado pelo trem. A polícia ainda não encontrou o corpo, mas o irmão de Vern, da turma de Ace, sabe onde o cadáver está. O quarteto, então, decide partir ao encontro da notoriedade: serem os primeiros a encontrar o corpo, dar entrevistas, aparecer nos jornais.

As imagens mais marcantes dessa jornada são as que marcam o companheirismo do grupo. Enquanto caminham, todos brincam como crianças: cantam, implicam uns com os outros e até se esquecem de comprar comida – necessidades de sobrevivência desse tipo só passam a importar na vida quando viramos adultos. Enquanto dois deles debatem sobre a vida, os outros dois discutem quem é mais forte: o Superman ou o Supermouse.

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Gordie protegendo Vern enquanto os dois correm do trem, no pontilhão, é daquelas cenas que o coração acelera, mesmo você sabendo que tudo vai acabar bem. A cena em que Gordie e Chris conversam, durante a madrugada, é tocante. Teddy, durante a jornada, é confrontado com a violência do pai e Vern tem um dos momentos mais divertidos do longa, quando mostra-se alegre e confiante ao levar o item mais importante para a viagem: um pente, afinal todos precisam estar bem penteados para aparecerem na foto do jornal.

O filme é cheio de ritos de passagem, simbolizados pelo pontilhão, pelo cachorro do ferro-velho, pelas sanguessugas do lago, pela arma que Teddy traz na mochila. São dois dias fora de casa que fazem a cidade ficar pequena e que interferem no destino de cada um dos quatro amigos.

Rob Reiner, o diretor, é daqueles faz tudo: atua, roteiriza, dirige, escreve canções. Conta Comigo é um filme com falhas de execução, mas é tão lindo e tem um roteiro tão significativo que as falhas acabam em segundo plano. As quatro atuações principais são tão intensas que passam verdade ao espectador, com destaque para River Phoenix, que morreu de overdose em 1993. Corey Feldman teve uma carreira curta no cinema e não teve lá muito sucesso. Ele vive fazendo filmes estranhos, mesmo tendo feito sucesso em filmes adolescentes (Os Gonnies e Garotos Perdidos, por exemplo). Kiefer Sutherland teve uma carreira mais profícua e Jerry O’Connell, o gordinho Vern, cresceu, ficou mais magro e fez Joe e as Baratas. Sem mais.

Título original: Stand by me

Direção: Rob Reiner

Produção: Bruce A. Evans, Raynold Gideon, Andrew Scheinman

Roteiro: Stephen King (conto The Body),  Bruce A. Evans, Raynold Gideon

Elenco: Wil  Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O’Connell, Kiefer Sutherland

Lançamento: 1986

Nota:        

 

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